A Baixada Santista está pronta para ir às urnas em 4 de outubro. Serão 1,446 milhão de eleitores, espalhados por 4.360 seções nos nove municípios. O número equivale a 4,24% do eleitorado do Estado, de 34,1 milhões de votantes. Os dados são do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O número é ligeiramente inferior ao verificado nas eleições municipais de 2024, quando viviam na Baixada Santista 1,451 milhão de pessoas aptas a votar. Com relação às últimas eleições gerais, em 2022, o índice é um pouco superior — na ocasião, o contingente era de 1,434 milhão de eleitores. Migração Entre 2024 e este ano, o maior crescimento no número de eleitores foi em Praia Grande, que passou de 261.063 para 264.214, um acréscimo de 3.151, seguido de Itanhaém (agora, com 85.242 eleitores; antes, eram 82.153), numa diferença de 3.089 eleitores. A cidade com maior decréscimo no número de eleitores foi Santos, que passou de 353.677 para 348.122 em dois anos, queda de 5.555 votantes, seguida de São Vicente, que teve queda de 260.347 para 255.916 (diminuição de 4.431 eleitores; veja quadro). () Impressões Sobre o impacto do tamanho do eleitorado da Baixada nos números totais das eleições, o cientista político, professor da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e responsável pela metodologia de pesquisas do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), Alcindo Gonçalves, vê pouca influência. “O peso do eleitorado aqui da região não significa muito no contexto estadual e muito menos nacional. Isso é válido para praticamente todas as regiões brasileiras, com exceção talvez de alguma região metropolitana como São Paulo”, afirma. O cientista social, escritor e mestre em Direito Alexandre Gossn entende que o índice de 4% pode soar enganoso, dependendo da perspectiva. “Se 4% de um colégio eleitoral como São Paulo parece pouco, dentro do País é bastante. Nós estamos falando de um colégio eleitoral muito grande e que, embora não seja considerado pêndulo, tem oscilado — como foi nas eleições de 2018 e 2022, quando tanto o Estado como a Capital votaram de formas muito diferentes para presidente”, considera. Analistas evitam projetar eleição Uma questão que sempre paira na corrida eleitoral é o tamanho da representatividade regional no legislativo, tanto o nacional quanto o estadual. Em 2022, foram eleitos quatro deputados federais e cinco estaduais como representantes da Baixada. Alcindo Gonçalves analisa que qualquer prognóstico sobre o tamanho de uma bancada regional é prematuro. “Se a gente considerar esses 4% em relação ao número de deputados estaduais e federais eleitos aqui no Estado de São Paulo, a proporção é mais ou menos essa, um pouco menos até. Mas depende muito dos candidatos e dos partidos”, aponta. “A tendência, não apenas na Baixada, mas em todo o País, é ter uma reeleição bastante grande dos atuais detentores de mandato”, acrescenta. Fazer prognóstico de bancada regional é prematuro, diz Gonçalves (à esquerda). Para Gossn, falta à região “voz que seja ouvida” para bancada maior (Alexsander Ferraz/AT e Matheus Tagé/Arquivo/AT) Importância vs. apelo Alexandre Gossn acredita que o número de deputados eleitos não deve ser maior do que o registrado no último pleito. “Não nos vejo elegendo mais do que três, quatro deputados federais e estaduais. Dentro do critério econômico e de índices sociais, nós não conseguimos criar uma voz que seja ouvida, como, por exemplo a voz do agro”. Gossn defende uma “assinatura regional”. “As questões logísticas envolvendo o Porto, por excemplo, embora sejam importantes, não têm um forte apelo popular.” Gonçalves avalia, ainda, que a busca dos candidatos locais por votos em outras regiões na Baixada Santista é algo normal do sistema eleitoral — e o inverso também. “É importante que os deputados lutem pelos interesses locais. Mas a gente não pode também deixar de lado que eleitores fazem escolhas ideológicas por outras razões que não a questão regional”, pondera.