[[legacy_image_76824]] A Baixada Santista está acima do índice estadual de aplicações da primeira dose de vacinas contra a covid-19 - 44,9% da população regional ante 44,3% do Estado - e dentro da expectativa da imunização com a segunda dose, que garante a completa proteção após 15 ou 20 dias. Apesar disso, cinco cidades da região apresentam números abaixo quanto à primeira dose e sete em relação à segunda. (CLIQUE AQUI E VEJA O CENÁRIO DA REGIÃO) Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A situação observada nos municípios com índices abaixo do Estado pode soar alarmante, mas médicos infectologistas e as prefeituras (leia quadro abaixo) apresentam justificativas. Entre as principais, estão os fatos de a população ser mais jovem e a aplicação de vacinas de fabricantes que exigem intervalo de 90 dias entre as doses, como AstraZeneca – em maior volume – e Pfizer. Nestas condições, com menos aplicações de primeira dose estão Bertioga (37,9%), Cubatão (38,2%), Guarujá (39,4%), Praia Grande e São Vicente (ambas com 40,6%). Em relação à segunda aplicação, só Santos, com 21,8% e Itanhaém, com 15,1%, têm números superiores à média estadual, de 14,4% da população. Cenários Os profissionais da saúde citam outros fatores que contribuem para números menores de aplicações da primeira dose, como o negacionismo em relação à proteção contra a covid-19, o medo de reações adversas e a espera pela dose de determinado fabricante. Na segunda dose, além do intervalo de três meses exigido por alguns fabricantes e o receio de efeitos colaterais, surgem “a displicência da população, que esquece ou não considera a importância da vacinação (...) E a negligência dos gestores, que não partem para uma busca ativa (de quem não concluiu a imunização)”, diz o médico infectologista e professor da Unimes, Roberto Focaccia. Focaccia ressalta que a falta de vacinas não é desculpa no Estado de São Paulo. Hoje, para cada dose aplicada, uma é armazenada para garantir o reforço. “É preciso dizer que, em toda vacina, existe risco de efeito colateral. Nenhuma é isenta, mas estamos diante de uma pandemia de gravidade brutal e que parou o País. É preciso que haja a colaboração de todos. Mesmo as que têm menor eficácia garantem proteção e, quando atingirmos determinado ponto (de imunização coletiva), a situação será controlável”, ressalta o médico. Em alta Os números da região são puxados para cima justamente pela vacinação realizada até o momento em Santos e Itanhaém, em ambas as imunizações. Tanto os médicos como as administrações municipais atribuem o resultado ao fato de haver uma população mais idosa, que no começo da imunização recebeu aplicações de CoronaVac, do Instituto Butantan, que tem intervalo entre as doses de 14 a 28 dias. Imunização é a arma Os médicos infectologistas apontam que efeitos colaterais podem ocorrer e nenhuma vacina protege 100%. Apesar disso, reforçam a importância da imunização para diminuir a gravidade dos casos e reduzir a circulação do vírus, algo que, segundo eles, vai controlar a doença. “Todas as vacinas protegem. Em termos de diminuir a transmissibilidade do vírus, tem que vacinar o maior número de pessoas e continuar a usar máscaras”, diz o médico infectologista Roberto Focaccia. O também infectologista Marcos Caseiro complementa: “(As pessoas) só ficarão protegidas 14 dias após a segunda dose”. De acordo com a infectologista Elisabeth Dotti, para quem não tomou a segunda dose devido ao receio dos efeitos colaterais, ele explica que, caso ocorram, serão mais fracos do que na primeira dose, quando o corpo ainda não respondia ao vírus para a produção de anticorpos. Escolha de vacina Para aqueles que escolhem vacinas, Caseiro aponta que estas são submetidas a duas análises diferentes: eficácia e efetividade. “A primeira tem relação com o estudo clínico, enquanto a efetividade (é o resultado do imunizante) na vida real. Os resultados da CoronaVac, no teste da vida real, são maravilhosos. No Hospital Guilherme Álvaro, por exemplo, todos (profissionais da saúde) tomaram e não tiveram casos graves de doenças do hospital”.