Na Baixada Santista, o total de eleitores aptos a votar ultrapassa 1,4 milhão, de acordo com o TRE-SP (Matheus Tagé/AT/Arquivo) Daqui a seis meses, o eleitorado brasileiro retorna às urnas para definir os rumos do Executivo e do Legislativo. Na Baixada Santista, o total de eleitores aptos a votar ultrapassa 1,4 milhão, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-SP). Entre eles, predominam os maiores de 40 anos, conforme o órgão. As mulheres representam 54,1% dos votantes e são maioria nas nove cidades da região — em Santos, 56% do total. No recorte por faixa etária, o bloco formado por pessoas entre 40 e 59 anos totaliza cerca de 36% do eleitorado. No que diz respeito à obrigatoriedade do voto, os dados do TRE-SP revelam que 85,6% dos eleitores (1.222.403) são obrigados a ir às urnas, enquanto 14,4% (205.375) integram os grupos de voto facultativo: os que têm 16 e 17 anos e os de 70 anos ou mais. Santos concentra o maior volume de eleitores desobrigados de ir às urnas, com 62.800, seguida por Praia Grande (38.612) e São Vicente (34.340). Voz do povo Eleitores dizem reconhecer a importância das eleições e fazem cobranças. Parte deles, porém, diz estar descrente do sistema político. Para o comerciante Fabio Simões, de 53 anos, o processo eleitoral é essencial para a manutenção da democracia. “É assim que a gente tenta colocar lá pessoas que representem os nossos ideais.” A auxiliar de limpeza Elaine Cabral, de 50 anos, vê o pleito como uma oportunidade de transformação. “Precisa mudar muita coisa. Segurança, saúde, trabalho… Está bem difícil”, diz. A balconista Juciara Silva, de 32 anos, destaca a necessidade de atenção a pautas sociais. “O (combate ao) feminicídio precisa de mais atenção, está acontecendo muito.” Na mesma linha, a ajudante de cozinha Nethely Vitória Barbosa Ribeiro da Silva, de 25 anos, reforça que “tem que melhorar a saúde, porque tem muita gente precisando”. O analista de sistemas Alexandre Siqueira Souza Costa, de 24 anos, ressalta a importância de uma escolha mais consciente diante do cenário atual. “É um momento para refletir sobre o País e não repetir erros do passado”, afirma. Para ele, o contexto internacional também pesa na decisão. Há quem demonstre descrença no processo eleitoral. O motoboy Alan de Oliveira Cerqueira, de 47 anos, afirma que não se sente representado. “(A política) Não ajuda ninguém. É só ilusão.” (Alexsander Ferraz/AT) Principais grupos rumam ao centro A cientista política, professora universitária e historiadora Clara Versiani afirma que o momento atual indica uma movimentação dos principais grupos em direção ao mesmo campo eleitoral: o centro. “Há uma disputa e uma predisposição dos dois principais candidatos à presidência que temos até agora, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pelo centro. Então, uma vez que os dois lados estão disputando mais ou menos o mesmo eleitorado, a gente pode dizer que, neste momento, é uma disputa acirrada”, afirma. Segundo ela, apesar desse indicativo, o cenário ainda é instável e pode sofrer mudanças nos próximos meses, tanto por fatores internos quanto pelo contexto internacional, marcado por conflitos e impactos econômicos. Outra influência será a polarização política, que “alimenta a radicalização das posturas e a disseminação de informações que nem sempre são comprovadas. Mas ela também pode gerar um cansaço do eleitor, levando a um certo desengajamento”. Apesar das disputas no campo ideológico, Clara considera que, “de maneira geral, o que pesa são as questões mais imediatas da vida do eleitor, como economia, emprego e segurança”, diz. Ela pensa que “ideologia não será a principal variável na decisão do seu voto”. Redes A cientista política destaca que as redes sociais devem continuar sendo relevantes. “Elas têm um forte impacto nessa questão da polarização mesmo, na disseminação de fake news, mas elas (redes) também são importantes nas campanhas.” A principal novidade é o avanço da inteligência artificial. “As muitas possibilidades que a inteligência artificial tem, inclusive de gerar falsas imagens e falsas narrativas, contribuem ainda mais para a disseminação da desinformação. (...) Vai ser nossa primeira eleição estadual e nacional com a experiência da inteligência artificial.” No campo partidário, Clara observa movimentação crescente em direção ao centro, com trocas de legenda e reconfiguração de alianças. “Há uma busca por posições mais equilibradas, o que também revela um certo cansaço com a polarização.”