[[legacy_image_358779]] A Baixada Santista tem 44.694 analfabetos entre moradores com idade a partir de 15 anos. Eles são 3% dos 1,478 milhão de pessoas nessa faixa etária nas nove cidades locais. Apesar de o percentual ser inferior à média de analfabetismo no Estado (3,1%), apenas dois municípios da região estão abaixo desse índice: Santos, que tem a quinta menor taxa do País entre cidades de 100 mil a 500 mil habitantes (1,6%), e Praia Grande (2,7%). Os números integram o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recorte dos que não conseguem ler e escrever um bilhete simples — o conceito de analfabetismo, segundo o órgão — foi apresentado durante entrevista coletiva, na sexta-feira, em São Paulo. No País, a taxa de analfabetismo é de 7%, com 11,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não leem nem escrevem. Quanto mais jovem a população, menor é a proporção de analfabetos. Dos 118.677 cidadãos com 15 a 19 anos de idade, 1% não lê nem escreve (1.136 pessoas). Entre os 242.145 munícipes de 65 anos ou mais, o analfabetismo é de 7,9% (19.064 indivíduos). Considerando os 44.694 analfabetos, os jovens de 15 a 19 anos são 2,5% do total geral, e os idosos a partir de 65 anos equivalem a 42,7% dos que não sabem ler nem escrever na Baixada. Conforme material publicado pelo IBGE, a analista da pesquisa, Betina Fresneda, afirmou que “esse comportamento reflete, principalmente, a expansão educacional, que universalizou o acesso ao Ensino Fundamental no início dos anos 90, e a transição demográfica, que substituiu gerações mais antigas e menos educadas por gerações mais novas e mais educadas” em termos escolares. [[legacy_image_358780]] EstruturalDoutora e mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e ex-delegada da rede estadual de Ensino em Santos, Elisabeth dos Santos Tavares avalia que, “os dados podem sinalizar um avanço educacional, parte em função do avanço da escolarização e parte pelo ingresso no mercado de trabalho”. “Embora o analfabetismo siga em queda, mantém uma característica estrutural: quanto mais velho o grupo populacional, maior a proporção de analfabetos”, pondera. Elementos sociais e econômicos///Questões sociais e econômicas interferem na escolaridade dos cidadãos. Nota-se essa realidade na Baixada. Em contraste, sobretudo, com Santos, as cidades que lideram as taxas regionais de analfabetismo são Cubatão (4,5%), Itanhaém (4,1%) e Peruíbe (4%). “Podem ser considerados como elementos que levam a essas diferenças as desigualdades racial, econômica, de educação, informação, água, saneamento, moradia”, analisa a educadora Elisabeth Tavares. Outro fator é a “mobilidade de moradias” entre famílias: elas “se fixam, inicialmente, em determinadas cidades, mas, assim que alcançam melhores condições, mudam de domicílio para outras cidades, o que afeta a questão da escolaridade em função da mudança de escolas”. O índice dos que não sabem ler e escrever tem maior disparidade entre os moradores mais velhos. Enquanto 3,2% dos residentes em Santos com idade a partir de 65 anos são analfabetos, essa condição está presente em 16,9% das pessoas dessa faixa etária em Cubatão. Quando se leva em conta os que têm de 15 aos 19 anos, o analfabetismo entre eles é de 0,7% em Bertioga e em Santos e igual ou superior a 1% nos demais municípios, com destaque para Mongaguá (1,6%). “É preciso que, especialmente em nível local, nos municípios, os profissionais da educação tenham um diagnóstico com dados fidedignos para se lançarem a campo, em conjunto com os demais profissionais, na construção de um plano adequado à realidade”, entende Elisabeth. FuncionaisA doutora em Educação pela PUC-SP salienta que o desafio para a alfabetização é mais intenso quando se consideram, segundo ela, os analfabetos funcionais. São aqueles que podem ler textos simples, mas não os entendem. Como diz Elisabeth Tavares, são 29% dos brasileiros que se “humilham” por viver “apartados do mundo”. “Temos um desafio imenso, pois chegamos a um número maior do que 65 milhões de pessoas, população superior à da maioria dos países.” [[legacy_image_358781]] Uso da tecnologiaO avanço dos níveis de alfabetização será maior caso se adaptem as escolas a uma realidade: a utilização de meios digitais, presentes no cotidiano atual desde a infância. Mas não adiantará incluí-lo de modo massivo nas escolas sem uso pedagógico e crítico, nem se colégios não dispuserem de infraestrutura e educadores atualizados nessa tarefa. Elisabeth Tavares reconhece que crianças hoje em fase de alfabetização são “nativas digitais” — nasceram com acesso a tecnologias do gênero e estão familiarizadas a eles — e sabe que dispor de aparelhos do tipo em sala de aula pode manter os alunos atentos e motivados por mais tempo. A educadora, porém, adverte ser preciso “orientar sobre fontes seguras (de pesquisa), além de incentivar que toda informação seja questionada com inteligência, estimulando o pensamento crítico, o uso de ferramentas adequadas para a aprendizagem”. “É a oportunidade de aprender com mais autonomia o conteúdo das disciplinas e, até, de ir além, sanando curiosidades que possam surgir.”