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Terça-feira

7 de Julho de 2020

Baixada Santista perde 9,5 mil empregos com carteira assinada devido à pandemia

Números do Caged mostram impacto das medidas restritivas nas vagas formais da região

Quase 9,5 mil postos de trabalho foram fechados na Baixada Santista durante a pandemia do novo coronavírus. O impacto da Covid-19 na economia regional está nos números registrados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Na região, 10.396 contratos formais foram encerrados entre janeiro e abril, dos quais 9.459 só em março e abril. 

Em março, quando teve início a quarentena e diversas atividades foram paralisadas, o saldo negativo foi de 3.580 postos de trabalho. Em abril, quando o isolamento social ocorreu do início ao fim do mês, foram 5.879 vagas a menos.

>> Confira os números acumulados e o comparativo mensal

Santos foi a cidade mais afetada, com saldo negativo de 3.588. “A expectativa para 2020 era de um processo lento, mas de recuperação da Economia. A pandemia mudou todo o cenário e isso se reflete também na região”, avalia o administrador financeiro Márcio Colmenero.

O diretor da Associação dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, afirma que números elevados de demissões já eram esperados. “A situação só não foi pior devido às medidas adotadas pelo Governo, como redução de jornada e salário”. 

Vendas

O comércio é apontado como um dos setores mais afetados, segundo a economista Karla Simionato. Ela lembra que a região também depende de turistas. ATribuna.com.br cobrou do Governo Federal o detalhamento por setor das demissões, mas não obteve resposta. “Os micro, pequenos e até médios comerciantes não tinham recursos para se manter e precisaram demitir para tentar sobreviver”.

O resultado surpreendeu o presidente do Sindicato do Comercio Varejista da Baixada Santista, Omar Abdul Assaf. “Esperava que esse número fosse menor agora, porque será uma explosão depois. Algo em torno de 30 mil empresas suspenderam o contrato dos funcionários por 60 dias. Depois você tem que garantir mais 60 dias. Achamos que, com a abertura, fosse possível. Sem flexibilização, é uma tragédia para a Baixada”.

O presidente da Associação Comercial de Santos, Mauro Sammarco, diz que as medidas para a contenção da covid-19 foram acertadas. Mas, de acordo com ele, os índices do Município demonstram a possibilidade de início da flexibilização. “Isso chega no momento do limite suportável pelo comércio. Qualquer atraso no plano de retomada ampliará as perdas, com danos irreversíveis aos empregos e à Economia da Cidade”.

Ele diz ainda que também serão necessárias medidas de auxílio às empresas. “Será necessário um plano de auxílio financeiro do Governo, com taxas baixas de juros, para a recuperação econômica das empresas. Junta-se a isso os esperados incentivos fiscais. Sem isso, a retomada será muito difícil”.

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