Os mapas de elevação do nível do mar e inundações costeiras do Climate Central baseiam-se em dados científicos revisados por pares em periódicos de ponta (Reprodução / Climate Central) O avanço do mar é um processo natural que vem sendo intensificado pelas mudanças climáticas, principalmente pelo derretimento das geleiras. Um estudo da organização Climate Central aponta que Santos, no litoral de São Paulo, corre o risco de ficar submersa até 2050. Mas será que isso pode realmente acontecer? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É improvável afirmar com certeza que Santos fique completamente debaixo da água até 2050, ao menos não nesse prazo, conforme explica a oceanógrafa e mestre em Ecologia pelo Instituto Laje Viva, Letícia Schabiuk. No entanto, áreas já ocupadas e mais vulneráveis, como as regiões de palafitas no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, por exemplo, podem ser impactadas. “Inclusive, a gente entra até numa questão meio triste, quando a gente fala sobre isso, que é o racismo ambiental. São pessoas em situação de vulnerabilidade que vão sofrer primeiro com essas consequências das mudanças climáticas, dos impactos que o meio ambiente vai sofrer", complementa. Estudos da Climate Central A organização fornece uma ferramenta de triagem de risco costeiro por meio de projeções. Os mapas de elevação do nível do mar e inundações costeiras do Climate Central baseiam-se em dados científicos revisados por pares, publicados em periódicos de ponta. Como destacado no site da pesquisa, esses mapas incorporam grandes conjuntos de dados que, por sempre apresentarem alguma margem de erro, devem ser considerados ferramentas de triagem para identificar locais que possam exigir uma investigação mais aprofundada do risco. A oceanógrafa Letícia Schabiuk explicou que o mapa dinâmico considera as regiões que podem ser afetadas por inundações e outros impactos do avanço do mar. Esse fenômeno é natural, mas vem se intensificando devido às mudanças climáticas, especialmente pelo derretimento das geleiras. Grandes volumes de água provenientes do degelo entram no ciclo natural da água, provocando elevações no nível do mar. “Então, a gente compara vários dias, várias datas, vários estudos, levando em conta todo esse tempo geológico e cria uma estatística. É um modelo estatístico que faz essa previsão. Então, não dá para a gente afirmar com certeza isso. Isso é só uma previsão”. Ao observar e analisar o mapa, ela acrescenta que as áreas mais afetadas são as de mangue, por serem mais baixas e já sofrerem influência das mudanças no nível do mar, especialmente em relação às marés. “É uma transformação mínima ali que acontece diariamente, não é essa transformação de anos, até 2050. E é isso, provavelmente não vai estar embaixo da água, Santos não, mas algumas áreas que hoje são ocupadas, por exemplo, o (Distrito de) Vicente de Carvalho, as áreas ali das palafitas”, explica.