[[legacy_image_324484]] Preconceito e desinformação. Os dois elementos se mostraram presentes esta semana durante uma fala do ator Thomaz Costa, famoso pela participação em novelas infantis e reality shows. Ele abriu uma caixa de perguntas em seu Instagram e, ao ser indagado se teria relações com uma pessoa intersexo (termo utilizado para um grupo de variações congenitais de anatomia sexual ou reprodutiva que não se encaixam perfeitamente nas definições tradicionais de sexo masculino ou sexo feminino), respondeu que “Não conhece, nem quer conhecer”. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Quem fez a pergunta foi a ativista de São Vicente, Mayara Natale, que integra o Grupo de Trabalho sobre o tema no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Ela não esconde a decepção com a resposta do ator, de quem se diz fã. “Acompanho ele desde criança. Fiquei decepcionada porque ele, como influenciador, deveria ajudar as pessoas a entender sobre o assunto. Meu intuito com esses artistas é que eles conheçam nosso movimento e, assim, termos aliados”. A forma como o ex-namorado da atriz Larissa Manoela agiu na resposta soou como uma agressão para Mayara. “Fiquei triste de ser ridicularizada e, com isso, propagar a desinformação, achando que é algo sobre orientação sexual”, acrescenta. “Ele poderia dizer “nunca conheci ninguém, mas vou me informar a respeito”. Mayara afirma que a população intersexo está na vida das pessoas e muita gente pode não ter esse conhecimento. “Ele (Thomaz) pode ter tido relações íntimas com uma mulher intersexo e nem imagina”, pontua. A Reportagem entrou em contato com a empresa que faz gestão da carreira do ator Thomaz Costa. Caso haja um posicionamento, ele será acrescentado ao texto. Trabalho interministerialMayara Natale, que integra a Associação Brasileira de Intersexos (Abrai), atua junto com a secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat. Segundo ela, por falta de informações sobre políticas públicas referentes à condição intersexo, o grupo de trabalho foi criado e, durante o ano, vai atuar junto a outros ministérios. “Alguns exemplos: na Educação, ver o que pode ser ampliado no conhecimento sobre a condição intersexo; no Ministério da Mulher, sobre apoio a mães gestantes, ou que têm seus filhos intersexo; e no da Saúde, as razões para não praticar mutilação. Também agir para termos leis que protejam as pessoas nessa condição. Países como Portugal e França já exercem essa preocupação”, argumenta a ativista. O hermafroditismo deve ser debatido a partir deste mês com a estreia do remake da novela Renascer, da TV Globo. Na versão de 1993, a personagem Buba, interpretada por Maria Luiza Mendonça, apresentava essa condição. Na versão de Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa, ela será uma mulher trans, vivida pela atriz transexual Gabriela Medeiros. “Vou gravar um vídeo sobre isso. Estamos sempre sendo apagadas. As pessoas tratam como uma orientação sexual, e não é”, finaliza.