[[legacy_image_345252]] O consagrado crítico brasileiro de cinema Rubens Ewald Filho, morto em 2019, aos 74 anos, começou sua longa e vitoriosa trajetória em A Tribuna. O convite veio de Juarez Bahia, editor-chefe do jornal em 1967 e que havia sido professor dele no curso de Jornalismo da Faculdade de Filosofia de Santos, atual UniSantos. O chamado era para que Ewald organizasse o Departamento de Pesquisa de A Tribuna. “Comecei a trabalhar em A Tribuna em agosto e não poderia ter encontrado melhor lugar”, afirmou o crítico, em artigo publicado em 2004 em A Tribuna. As matérias com as novidades do mercado cinematográfico e as resenhas dos filmes da TV, publicadas em A Tribuna ao longo de décadas, eram imperdíveis para os cinéfilos. E Rubens Ewald Filho, no mesmo artigo em 2004, lembrou bem dos primeiros passos. “Um dia estava andando pela cidade e descobri um velho circo mambembe, daqueles que em Santos já eram raros. Propus uma matéria e logo depois saiu na última pagina do jornal, página inteira. Teve até aquele clima de dormir tarde para pegar o primeiro jornal, igualzinho ao que via nos filmes. Foi assim que entrevistei as primeiras estrelas de Hollywood (Rosemary Clooney, que veio ao Caiçara), fiz as primeiras críticas.” Ewald, que também fez carreira como roteirista e comentarista das transmissões do Oscar na TV, nunca escondeu o orgulho de ser santista e de ter trabalhado em A Tribuna. “Se é verdade que todo santista tem especial orgulho de sua cidade, no meu caso isso ficou ainda mais patente, porque A Tribuna foi meu cordão umbilical. Não me recordo de qualquer problema que tive com textos ou restrições, embora, por vezes, os exibidores tenham pedido minha cabeça (ou perto disso) ou reclamado de críticas desfavoráveis. Nunca cederam. Sempre me prestigiaram. Minha história teria sido diferente caso não tivesse essa passagem por A Tribuna.” Maurício de SousaA popularização das histórias criadas por Mauricio de Sousa aconteceu em A Tribuna, no início dos anos 1960. Ele escolheu jornais em cidades até 100 quilômetros distantes de Mogi das Cruzes, onde morava e tinha um pequeno estúdio. “Logo começaram a chegar alguns pedidos. Queriam minhas historinhas, naquele tempo restritas a apenas três séries: Bidu, Cebolinha e Piteco. Lembro que, primeiro, fui visitar a redação do jornal que eu considerava o mais importante para o início do meu sistema de redistribuição: A Tribuna, de Santos. Publicava tiras na Folha da Manhã, hoje Folha de S.Paulo, mas o resultado financeiro era irrisório”, contou, em artigo publicado em 2004 em A Tribuna. O desenhista, atualmente com 88 anos, sabia da preocupação de A Tribuna com os leitores infantis. “Não foi difícil a negociação, e iniciei ali o processo de republicação que, algum tempo depois, atingiria mais de 200 jornais do País. Era o fôlego que eu precisava para partir para outros voos, como revistas em quadrinhos e desenhos animados.” O agradecimento do desenhista a A Tribuna é eterno. “A Tribuna foi terreno fértil. E publicar nas suas páginas me deu mais confiança. Se um grande jornal como A Tribuna tinha comprado minhas historinhas, eu sabia que outros também o fariam. E foi o que aconteceu. A Tribuna apostou firme.”