A queda de uma passarela provocada pela batida de uma carreta na Rodovia Anchieta, em Cubatão, na noite de quinta-feira (13), fez com que milhares de veículos ficassem parados no trânsito por horas. Viajantes que seguiam em direção ao litoral de São Paulo revelaram para A Tribuna as dificuldades que enfrentaram ao passar a noite na estrada. Em alguns casos, faltou acesso à comida e água. Segundo os entrevistados, o tempo parado na pista chegou a 12 horas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O motorista de ônibus Leonel Silva, de 61 anos, contou que saiu do Rio de Janeiro às 9h30 de quinta-feira (13). Por volta das 16h, chegou em Guarulhos, onde parou antes de seguir em direção a Santos. “A viagem de Guarulhos até Santos leva cerca de duas horas, mas fiquei preso por quase 12 horas na estrada”, disse o motorista, que chegou à cidade por volta das 7h30 desta sexta. “Foi sufocante, não tinha nada para comprar, nenhum comércio perto. Passamos uma noite muito difícil”, acrescentou Leonel. Quem também passou por momentos difíceis foi o engenheiro agrônomo Marcelo Ramiro, de 51 anos. Ele, que mora em Santos, voltava de São Paulo em um ônibus que deixou a capital às 18h10 de quinta. “Foi um dia para esquecer”, desabafou o engenheiro, que conseguiu desembarcar em Santos às 8h20 desta sexta. “Não tivemos muita assistência, somente uma garrafinha d’água dada pela Ecovias. Além disso, ficamos numa zona perigosa, numa escuridão, mas graças a Deus não aconteceu nenhum assalto”, emendou. A psicóloga Nathália Aulicino, de 25 anos, também vinha de São Paulo em direção a Santos. Assim como Marcelo, ela chegou na cidade somente na manhã desta sexta, tendo saído da capital às 15h20 de quinta-feira. Ela também se queixou da falta de assistência para quem estava preso no congestionamento. “Fomos avisados da queda da passarela às 19h30 e, a partir dali, ficamos completamente parados. Não tivemos assistência nenhuma, não recebemos água nem comida. Por sorte, um vendedor apareceu de moto, oferecendo salgadinho e bebida. Não consegui comprar água, porque na minha vez de comprar já tinha acabado”, relatou a psicóloga. Ecovias Imigrantes O gerente de operações da Ecovias Imigrantes, Fernando Ferreira, esclareceu que a concessionária forneceu água e alimentos para quem ficou preso na rodovia através de motos da empresa. Contudo, de acordo com ele, a extensão do congestionamento impossibilitou que todas as pessoas fossem atendidas. “Em alguns momentos, a rodovia chegou a ter 30 km de congestionamento. Utilizamos as motos, mas não conseguimos abranger a totalidade das pessoas presas, e lamentamos por essa situação, que é desconfortante para todos”, disse. Por outro lado, Ferreira ressaltou que o objetivo da concessionária era o de liberar a via o mais rápido o possível. “Entendemos que a liberação ocorreu de acordo com o nosso planejamento, de iniciar o dia com as pistas liberadas”, pontuou. Queda da passarela A passarela derrubada fica localizada no km 52 da Rodovia Anchieta, na altura do bairro Cota 95, em Cubatão. Por volta das 18h50, uma carreta desgovernada se chocou contra a estrutura e a derrubou. A queda provocou a interdição da via nos dois sentidos. Em um vídeo que circula na internet, o motorista da carreta explicou como o acidente aconteceu. Segundo ele, tudo começou com uma batida contra outro veículo, que arrancou seu retrovisor. Quando desceu da carreta para pegar os dados do outro motorista para a Marimex, empresa para a qual trabalha, notou que o veículo desceu a via e atingiu a passarela. Segundo o Centro de Controle de Informações (CCI) da Agência de Transporte de São Paulo (Artesp), o condutor havia esquecido de puxar o freio de mão, o que permitiu com que a carreta seguisse desgovernada. Em nota, a Marimex informou que "está colaborando com as autoridades para investigar as causas e tomar todas as providências necessárias”. Em nota, a Ecovias Imigrantes informou que a remoção da estrutura começou nesta sexta-feira, mas que não há previsão de finalização do serviço. “Agora, vamos entrar no ambiente de planejamento, no ambiente de contratação e, em breve, teremos mais clareza para falarmos sobre datas”, disse o gerente de operações rodoviárias da concessionária. Artesp A Artesp informou, através de nota, que monitora e acompanha as ações em andamento conduzidas pela Ecovias Imigrantes para a normalização do tráfego na Rodovia Anchieta. “A Agência já acionou a concessionária para esclarecimentos e alinhamento de medidas operacionais”, disse a Artesp no comunicado. A agência esclareceu que o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) é fiscalizado diariamente, sendo que esse monitoramento é feito conforme “as normas e padrões técnicos para a prestação do serviço adequado estabelecidos em contrato”. Caso alguma irregularidade seja detectada, é estabelecido um prazo para regularização que, em caso de descumprimento, gera uma notificação. Segundo a Artesp, a concessionária segue trabalhando para normalizar a operação, e todos os usuários que trafegam pelo SAI são comunicados pelos painéis de mensagens variáveis da Ecovias Imigrantes.