[[legacy_image_23848]] Em meio ao processo de abertura econômica paulista, o governo do Estado de São Paulo acende o alerta para uma eventual segunda onda de contágio – novo registro de escalada de casos de Covid-19, em especial àqueles que seguiram as regras de quarentena. “A possibilidade de um segundo pico existe e é real”, afirma o chefe do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, Carlos Carvalho. Especialistas destacam que a possibilidade de uma nova onda da doença está relacionada a reabertura econômica, adotada no Estado sem uma sequência de estabilização nos casos confirmados. Essa flexibilização poderia elevar em mais de 25 mil pacientes, conforme projeções do governo paulista. Carvalho revisou, nesta segunda-feira (15), os modelos matemáticos sobre números de novos casos. A nova projeção sinaliza que até 290 mil pessoas devam contraria a Covid-19 até o fim do mês. Na semana passada, esses indicadores apontavam 265 mil doentes. Por outro lado, a expectativa de mortes caiu de no máximo 22 mil para 18 mil, segundo Carvalho. As informações foram prestadas durante entrevista coletiva em que o governo paulista apresentou o balanço atualizado sobre a doença. Em 24 horas, o total de casos no Estado passou de 178.202 para 181.460 (3.258 novos casos registrados), um aumento de 1,8%. Já o total de mortos passou de 10.694 para 10.767 - 73 novos óbitos registrados. “O número de casos vem aumentando porque estamos testando mais, mas o número de óbitos está caindo, mostrando que nós temos uma certa segurança para implementar as medidas que estão sendo implementadas”, afirma Carvalho, ao comentar o avanço da doença. Dessa forma, ele indica que houve a mudança nas projeções de casos e mortes. “Pelo modelo matemático, esperaríamos 20 mil (mortos) no final do mês. Para ter 20 mil no final do mês, teríamos de ter mil mortes por dia. E na última semana tivemos em média 250 mortes por dia”. Ao ser questionado sobre a variação do cenário diante do processo de abertura comercial do Estado, Carvalho admitiu que um novo pico da doença pode acontecer. Mas, se esse for o cenário, haveria espaço para que as restrições aumentassem. “A possibilidade de um segundo pico existe e é real. Do mesmo jeito que a abertura em outras cidades do mundo foi monitorada e, quando essa tendência existe, você pode dar um passo atrás. Nosso comitê de saúde vem observando isso e estamos atentos para qualquer expectativa nesse sentido”. Preocupação Mundial A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou, nesta segunda-feira (15), preocupação com a onda de novos casos da Covid-19 em Pequim, na China. A entidade ligou o alerta de outros países que reduziram o contágio, pois um ressurgimento pode acontecer a qualquer momento. Só entre os dias 7 e 13 de junho, 1.523 pessoas morreram pela Covid-19 no Estado de São Paulo. Em um intervalo de quatro semanas, entre as duas últimas semanas de março e duas primeiras de abril, o total de mortos havia sido de 976. Mesmo assim, técnicos do governo afirmaram ver uma desaceleração da pandemia no Estado, uma vez que, porcentualmente, o crescimento desta semana foi menor do que o da semana anterior: entre 31 e 6 de junho, o aumento em relação à semana anterior foi de 20,26%. Na semana entre 7 e 13 de junho, o aumento foi de 16,81%.