[[legacy_image_148444]] Duas semanas após moradores do litoral de São Paulo se sentirem humilhados e constrangidos devido a uma viagem frustrada para o Beto Carrero World, em Santa Catarina, ainda não houve a devolução do dinheiro gasto pelos turistas. Uma solução pode ser encontrada na próxima semana, quando a proprietária da agência de viagens envolvida no caso e o advogado responsável pela defesa devem se reunir. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A viagem ocorreu no fim de semana de 21 a 23 de janeiro, mas alguns clientes não conseguiram embarcar, enquanto outros, que viajaram, tiveram que dormir no chão e nas poltronas de um hotel, por não terem conseguido acesso aos quartos. Segundo apurado por A Tribuna, três ônibus iriam fazer a excursão, passando por Santos, São Vicente e Praia Grande, antes de partir rumo ao litoral catarinense, mas apenas um veículo seguiu viagem. O pacote também previa dois dias de hospedagem e visita ao parque, mas somente um foi fornecido. Ao menos 67 pessoas prejudicadas devido à viagem se reuniram e têm cobrado explicações. Algumas tentaram registrar boletim de ocorrência junto à Polícia Civil, mas foram orientadas a procurar o Juizado Especial Cível (JEC), antes conhecido como Juizado de Pequenas Causas. A dona de casa Maria Luciana dos Santos, de 42 anos, moradora da Vila Margarida, em São Vicente, foi uma que não conseguiu realizar a viagem. Ela afirma ter comprado o pacote no dia 21 de dezembro, que incluía mais quatro pessoas, entre familiares e amigos. O prejuízo estimado é de aproximadamente R\$ 1.600. [[legacy_image_148445]] "Um dia antes da viagem, criaram um grupo para passar informações da viagem. Disseram que estava tudo certo. Na sexta (dia da partida), por volta de 16h, começaram a passar mensagens dizendo que o hotel não poderia receber todos os hóspedes por conta da pandemia", afirmou Maria. Ela tinha previsão de embarcar em São Vicente, às 21h40, o que não aconteceu. A auxiliar de departamento pessoal Danieli Flor de Brito, de 21 anos, também moradora de São Vicente, conseguiu viajar, mas não teve acesso ao quarto do hotel. Por isso, ela precisou dormir no chão de uma sala de jogos. "Tirei férias justamente para ir (na viagem). Teve gente que veio para a minha casa naquele fim de semana justamente para cuidar dela. (No hotel) a gente ficou deitado em cadeiras, sofás, no chão. Foi uma situação muito constrangedora e horrível”, lembra. Danieli disse que “ninguém aguentava mais” a situação a qual foram submetidos. “Não tinha mais clima de parque, de nada. A gente só queria ir embora e o nosso dinheiro. Pagamos para ter aquilo e não tivemos, além do constrangimento", desabafa a jovem. Morador do bairro Esmeralda, em Praia Grande, o escriturário de agência Lucas Andrade Dias, de 26 anos, viajou junto com mais três pessoas. Assim como Danieli, ele também não conseguiu dormir no quarto do hotel. "Dormimos no chão da recepção e, depois, no chão da sala de jogos. Só tomamos banho porque o hotel permitiu a gente subir de pouco em pouco em quartos de outras pessoas que tinham conseguido (acesso ao quarto). Foi uma situação complemente humilhante e lamentável", recorda. Sem comidaA babá Sheila Cristina Vecchio, de 44 anos, moradora da Capital paulista, também estava na viagem, junto com o filho e a nora. Além de não ter conseguido acesso ao quarto, ela afirma que precisou comprar uma pizza durante a madrugada para poder se alimentar. "Nosso sonho se tornou um pesadelo. Tivemos que pagar uma pizza para poder comer à noite, porque não tinha nem a comida para a gente comer. Uma cliente passou mal, desmaiou na porta do hotel. Uma falta de consideração. Foi humilhante", lamenta. [[legacy_image_148446]] PosicionamentoA Reportagem conversou com a defesa da proprietária da Happy Excursões, empresa de Praia Grande responsável pela viagem ao Beto Carrero World. O advogado afirma que deve se reunir com a empresária, na próxima semana, para discutir os primeiros ressarcimentos. Segundo a defesa, a dona sofreu graves ameaças, que atrasaram as tratativas para iniciar a devolução dos valores de cada passageiro. Foi solicitado que os passageiros enviassem um e-mail com dados pessoais, além do valor a ser ressarcido. A defesa afirma que irão realizar as tratativas com mais calma, de forma amigável, e que isso só não aconteceu ainda devido às ameaças.