Sala e cozinha integrados: imóveis de baixa metragem acompanham mudanças na sociedade e atendem maior número de solteiros, casais sem filhos, famílias cada vez menores e locações para poucos dias (Alexsander Ferraz/AT) Menores, mas nem por isso menos aconchegantes e funcionais, os apartamentos compactos entraram na preferência de quem compra um imóvel. Apesar da demanda, esse segmento ainda carece de mais lançamentos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É o que indica levantamento feito pela Brain Inteligência Estratégica, a pedido de A Tribuna. No último ano, foram lançadas 292 unidades de compactos em Santos. Só no último trimestre, foram 192. No entanto, esse número (292 unidades) começou a ser computado a partir de abril de 2025, pois o primeiro trimestre de 2025, assim como o último de 2024, foi nulo nesse segmento de imóveis. Sócio-diretor da Engeplus, Roberto Luiz Barroso Filho confirma o baixo índice de lançamentos para esse segmento. “Tem pouquíssimos imóveis compactos sendo lançados hoje no mercado, essa é a verdade. Hoje, a maioria dos lançamentos é de apartamentos de três dormitórios, alguns de quatro dormitórios e outros poucos de dois. O mercado está carente de imóveis compactos, principalmente de um dormitório”. O diretor regional do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis), Carlos Meschini, entende que a opção pelos compactos não significa abrir mão de qualidade – pelo contrário. “Os empreendimentos têm oferecido cada vez mais áreas comuns bem planejadas, espaços de convivência e opções de lazer que complementam o uso das unidades e valorizam a experiência de morar”. Ele destaca a localização como chave na escolha desses imóveis. “Em geral, os empreendimentos com unidades compactas estão próximos a eixos de mobilidade urbana e transporte coletivo, o que facilita a rotina e reduz o tempo de deslocamento, um fator cada vez mais valorizado”, explica. “Outro aspecto relevante é o uso desses imóveis como segunda moradia, especialmente por pessoas que passaram a adotar modelos híbridos de trabalho”. O diretor da R3 Imobiliária, Sthefano Lopes, lembra que, nos anos 2000, os imóveis de um dormitório tinham entre 50 e 70 metros quadrados, enquanto os de dois quartos, entre 70 e 90 m². “Os apartamentos compactos podem ser estúdios, que variam de 25 a 40 metros quadrados, um dormitório, de 40 a 50 metros, e de dois dormitórios, que variam de 50 até no máximo 70 m². E precisa ser bem localizado, porque as pessoas que compram esse tipo de imóvel abrem mão de espaço, mas em uma localização mais nobre”. Segundo Barroso Filho na zona da orla (até quatro quadras da praia), os compactos são apartamentos de dois dormitórios, de 70 a 80 metros quadrados. Os de um dormitório têm em torno de 45 m². “Mas, na zona intermediária (bairros entre a linha do VLT e o Centro, como Marapé, Campo Grande, Encruzilhada, Estuário e uma parte da Ponta da Praia), esses (de dois dormitórios) são em torno de 50, 55 metros quadrados. E os de um dormitório, de 31 a 35 metros quadrados”. Valores Lopes aponta que, em Santos, existe uma variação de R\$ 8 mil até R\$ 10,5 mil o m² de um apartamento compacto econômico, e uma média de R\$ 15 mil o m² para apartamentos de alto padrão compacto. Conforme Barroso, um apartamento situado a até três ou quatro quadras da praia está em torno de R\$ 16 mil o m². Na zona intermediária, entre R\$ 9,5 mil e R\$ 10 mil o m². “A diferença é muito grande”. Praia Grande: modalidade tem poucos lançamentos Se em Santos a demanda por imóveis compactos tem o seu mercado, em Praia Grande não é diferente, embora os números sejam bem mais modestos. De acordo com levantamento da Brain Inteligência Estratégica, o segmento no município teve o lançamento de 36 unidades no ano passado, todos no segundo trimestre. Para o empresário Júnior Gonçalves, da Construtora Malibu, ao longo dos últimos anos, Praia Grande observou a diminuição de área útil dos apartamentos. “Os imóveis compactos de até 40 metros quadrados representam em torno de 10% do mercado. Eles podem chegar até R\$ 14 mil o metro quadrado”. Para ele, apartamentos de um dormitório que, no começo dos anos 2000, tinham de 50 a 60 m² de área útil, hoje chegam a ter menos de 30 m². E o mesmo acontece com apartamentos de dois e três dormitórios. “Houve uma diminuição considerável de ambientes que antes eram considerados essenciais, como a cozinha e área de serviço. A razão para isso é a mudança de comportamentos, costumes e o aumento do custo de construção”, afirma Gonçalves. O empresário entende que, nas últimas décadas, houve uma transformação dos lares brasileiros. O aumento dos casos de divórcio e da expectativa de vida e a queda do índice de natalidade são fatores que contribuíram de forma significativa para esse movimento. “O aumento significativo dos custos fixos para a manutenção de um imóvel também foi peça-chave para dar início a uma nova categoria de imóveis, os compartilhados. Segundo Gonçalves, os imóveis compactos têm como atrativo o valor, a facilidade de financiamento bancário, e também a estrutura na área comum, contando com espaço de coworking, lavanderia, academia, minimercado e até serviços de limpeza nos apartamentos. “Isso tudo sem aumentar o valor do condomínio e trazendo comodidade aos moradores”. Destaque: Perfil Para o diretor regional do Secovi, Carlos Meschini, os apartamentos compactos acompanham mudanças no perfil das famílias e no estilo de vida nas cidades. “Hoje, as pessoas passam menos tempo em casa, buscam mais praticidade no dia a dia e, muitas vezes, vivem em núcleos familiares menores, o que torna esse tipo de imóvel uma solução bastante aderente”, afirma. Ele salienta que em Santos os compactos atendem bem a diferentes perfis — estudantes, jovens profissionais, casais e idosos. “Além disso, por terem um valor de entrada mais acessível, ajudam a manter moradores na própria cidade, evitando a busca por alternativas em municípios vizinhos”. O diretor da R3 Imobiliária, Sthefano Lopes, reforça que também há quem veja os compactos como opção para investidores, com foco em renda, seja para locação por curta temporada ou tradicional. A ideia é referendada por Meschini. “A procura por locação costuma ser alta, tanto para contratos de longa quanto de curta duração, o que reduz o tempo de vacância e contribui para um retorno mais rápido”.