[[legacy_image_289790]] Inexperientes e, em consequência, facilmente responsabilizados pelos deslizes que acontecem nas empresas. É assim que, muitas vezes, são vistos os estagiários. Nada mais longe da verdade, em especial para Jorge Luiz Alves de Barros Santos. Aos 65 anos, ele não só está fora da faixa etária da maioria dos que fazem estágio, como já é um profissional qualificado. Santos é brigadeiro do ar da Força Aérea Brasileira (FAB), reformado em 2013, e mesmo com o currículo invejável, decidiu estudar Direito e se tornou estagiário em um escritório de advocacia da Cidade. Nesta sexta-feira (18), no Dia do Estagiário, ele é um exemplo da importância da função a quem trilha os primeiros passos em alguma profissão. Colecionando condecorações durante a carreira militar, Luiz Santos possui mais de 5 mil horas de voo em onze diferentes tipos de aeronaves da FAB. Também mestre em Administração pelo Instituto de Força Aérea e Tecnologia dos Estados Unidos, diz que se incomodou com a inatividade e decidiu retornar aos estudos. [[legacy_image_289791]] Ele exerce a função de estagiário voluntário em dois locais – em um escritório de advocacia e no Juizado Especial Cível da UniSantos, vinculado a um projeto de extensão. Ele optou por realizar os serviços como voluntário para não interferir na formação de seus colegas. “Não seria justo eu competir por esse espaço. Não recebo nada. Vou no estágio pela minha vontade de aprender, pois esse é o objetivo”. Mesmo já possuindo formação militar e acadêmica, ele não esconde a felicidade de participar como voluntário no estágio, pelo curso de Direito. “Quanto mais a gente vive, mais descobrimos que nada sabemos. Eu tento me colocar como um garoto de 19 anos, querendo aprender. No Direito, sou um menino igual a eles, que estão começando a vida”. [[legacy_image_289792]] Natural de Belo Horizonte, Jorge Luiz Santos ingressou na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena, com 17 anos. Assim que se formou, em 1981. Em 1994, comandou o Esquadrão de Suprimento e Manutenção que serviu de apoio ao presidente da República, um de seus orgulhos na Força Aérea. Por conta de laços criados e pela boa adaptação de sua família, Santos se estabeleceu no Estado em 2008, e há dois anos, já aposentado, veio de vez para Santos. Ao perceber que uma de suas três filhas, advogada, conseguia conciliar o tempo entre a família e o trabalho, se interessou pela flexibilidade da profissão. “Tenho que me reinventar em uma atividade em que dependa apenas de mim”, pensou. Assim, no ano passado, ingressou em Direito. “Meu objetivo é me formar, prestar o exame da OAB e advogar. Meu foco, a essa altura do campeonato, não é ganhar dinheiro, e sim ser útil à sociedade, para as pessoas que precisam e às vezes não têm dinheiro para contratar um advogado. É mais pela questão social”. OportunidadesO interesse social também é a motivação do Centro de Aprendizagem e Mobilização Profissional e Social (Camps) de Santos, que fortalece continuamente seu programa de estágio voltado a universitários e estudantes de cursos de graduação, técnicos e tecnólogos. Com a experiência de já ter formado e encaminhado ao mercado de trabalho mais de 120 mil jovens aprendizes ao longo de 55 anos de história, o Camps expandiu suas atividades em 2020, com a criação do programa de estágio, visando atender às necessidades do mercado e ampliar as oportunidades de emprego na região. No programa, antes de serem encaminhados para seletiva de estágios, os jovens passam por uma triagem preliminar feita por uma equipe técnica qualificada, que inclui psicólogos e profissionais de RH Além disso, visando selecionar os perfis mais adequados para cada vaga, os profissionais do setor fazem entrevistas e dinâmicas para selecionar os estagiários com base nas potencialidades e competências pessoais, bem como nas necessidades das empresas. Laura Carolina da Silva de Moura, de 23 anos, é uma das estudantes beneficiadas pelo projeto. Desde 2016, ela participa de iniciativas promovidas pelo Camps de Santos, onde foi Jovem Aprendiz. “Foi meu primeiro emprego, e acho que não teria me tornado quem sou hoje sem esse contato inicial com o mercado de trabalho”, conta. Estudante de Psicologia, Laura faz estágio desde maio de 2022, e reconhece a contribuição do Camps em seu encaminhamento. “Ele contribuiu novamente para que eu conseguisse o estágio na empresa onde estou, e sou muito grata por isso”, diz. Atualmente, o Camps conta com 80 jovens em contrato de estágio. Apenas em 2023, mais de 3.200 currículos foram recebidos e 250 estudantes participaram de entrevistas de estágio que resultaram em 69 contratações, de acordo com a entidade. FundamentalPara o chefe do Departamento de Inovação e Negócios da Universidade Católica de Santos, João Alfredo Gonçalves, o estágio tem uma função ímpar na formação acadêmica e profissional do estudante. “Não há nada que permita ao estudante entender melhor sua área de atuação e função do que o estágio. É de fundamental importância”. Gonçalves, que é formado em Direito e também começou sua carreira profissional como estagiário, assim como Jorge Luiz Santos considera que o principal objetivo está no conhecimento adquirido. “A gente só aprende mesmo na prática”, afirma. A importância da prática é destacada, também, por Wellington Santana, proprietário de um escritório de engenharia em Santos. Ele diz que se preocupa em identificar as qualificações do estagiário. “Durante as entrevistas, nosso foco é compreender o perfil pessoal do candidato, suas habilidades adquiridas dentro e fora da universidade, e acima de tudo sua motivação para aplicar todo o aprendizado na prática”. Ele ressalta que não deixa de olhar para aqueles que, diferente de Jorge Luiz Santos, não possuem muita experiência no currículo. “Percebemos diferenças não apenas entre estudantes que realizaram ou não estágio, mas também entre estudantes que já tiveram contato com o mercado de trabalho, mesmo que fora do âmbito do estágio”, explica. “No entanto, esse não é o único motivo para contratarmos um estagiário. Valorizamos a verdadeira vontade do estudante de ingressar no mercado de trabalho”. *Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna - UniSantos sob supervisão do professor Eduardo Cavalcanti e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.