Samantha e Régis têm em comum a paixão pelo universo geek e participam de eventos do universo Star Wars (Alexsander Ferraz/ AT) No dicionário Michaellis, geek é “que ou aquele que está sempre à frente das pessoas comuns, adora ler e aprecia ficção científica e é ligado a novas tecnologias, especialmente informática. (...) Veste-se geralmente com roupas esportivas de estampas modernas, de cores incomuns, e usa tênis estampados ou axadrezados”. Na prática, é muito mais que isso. De acordo com a Pesquisa Geek Power de 2024, o setor movimenta R\$ 97 bilhões no Brasil por ano e une, pelo menos, três gerações: Z (15 a 29 anos), Millenials (30 a 44 anos) e X (45 a 59 anos). Além dos números, promove interações, experiências únicas e intensas. Cada um vira o herói de si mesmo e desfruta ao máximo. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Um geek é uma pessoa que ama desenhos, filmes, histórias em quadrinhos, videogame e muitas outras coisas ligadas à tecnologia. Já o nerd, além de gostar de tecnologia, e até mesmo quadrinhos, gosta muito de coisas ligadas à Matemática, à Ciência, à Astronomia e tem hábitos de estudar várias coisas diferentes”, explica a profissional autônoma Samantha Kolben, de 42 anos. A paixão pelo universo geek a uniu com o analista de sistemas Régis Leandro, de 47 anos. Desde que a “força” passou a estar com eles (alusão a uma frase clássica de Star Wars), os dois se juntaram e participam de diversos eventos ostentando os personagens icônicos criados por George Lucas. “Começamos a frequentar os eventos, a comprar bonequinhos. Eu escolho um, ele outro. Na hora de comprar camisas geek, optamos por temas iguais, personagens e até os cosplay. Fazemos tudo juntos e isso resulta em uma grande alegria interior. É supergratificante quando vemos as pessoas felizes ao tirarem fotos com nossos cosplayers”, conta Samantha. Preferência e referências Já o tecnólogo Danilo César de Aragão, de 46 anos, vai além. Para ele, a cultura geek, de certa forma, faz parte de todo mundo. “Toda pessoa é geek. Tem o seu hobby, a sua distração, hábitos e costumes. É alguém que estuda, trabalha, mas, ao invés de curtir futebol ou novela, opta por quadrinhos, videogames e cultua personagens com os quais se identifica”. Ele lista algumas preferências que ajudam a explicar sua presença no universo geek - e como o gosto pode mudar com o tempo. “Meu gosto é mais por quadrinhos e filmes. Mas perguntam: ‘Você não gosta de anime?’ Já gostei e não vejo mais graça. Prefiro animações mais rápidas, mais concisas, tipo What If (série da Marvel disponível no Disney+). Mas não existe uma dica única. É seguir seu gosto, sua predileção”. Paixão sem idade Engana-se quem tenta “confinar” o universo geek a pessoas mais velhas “que não tiveram infância” ou a jovens “sem coisa melhor para fazer”. As falas preconceituosas, eles concordam, partem de quem não conhece de perto o universo de possibilidades e o quanto ele pode integrar gerações. Para a auxiliar administrativa Geovanna Lorraine de Lima Pagani, de 24 anos, faixa etária nunca foi um obstáculo para as interações. “Não acho que seja uma barreira porque uma coisa que evento geek faz por exemplo, é unir a galera que tem os mesmos gostos. Encontrar pessoas que fazem cosplay do mesmo anime que você, ou que jogam a mesma coisa, é um ótimo começo para uma boa amizade”, justifica. Ela conta que tem amigos de 16 a 46 anos. “São pessoas que curtem esse tipo de coisa, e sempre é uma troca de energia legal nos eventos”, resume. Definitivamente, ser geek é hype, ou seja, algo que cria entusiasmo ou empolgação.