Georgios também teve dores na última parte do trajeto, devido às altas quilometragens percorridas na Argentina (Arquivo pessoal) Depois de enfrentar falta de dinheiro, problemas mecânicos e o risco de ter a viagem interrompida por causa da documentação, o ajudante de pedreiro Georgios Aciro Sarmento Beinis ganhou novo fôlego na aventura de bicicleta entre São Vicente, no litoral de São Paulo, e Ushuaia, no extremo sul da Argentina. Com ajuda recebida pelas redes sociais, ele conseguiu regularizar o visto, comprar mantimentos e reforçar as roupas para enfrentar o frio da Patagônia. -Vídeo YouTube ajudante de pedreiro (1.531188) Quer saber todas as curiosidades da nossa região? Siga o nosso canal do YouTube! Agora, Georgios acredita que está entrando na reta final da jornada. “Nos próximos 20 dias, estarei chegando ao meu destino”, afirmou para A Tribuna. A viagem completou seis meses na sexta-feira (2). Ao longo desse período, o ciclista atravessou diferentes regiões do Brasil e da Argentina, enfrentou quebras na bicicleta, dificuldades para conseguir dinheiro e períodos em que os recursos para alimentação ficaram próximos do fim. Nos últimos dias, a preocupação principal era a situação do visto. Sem a regularização, a chegada a Ushuaia e, principalmente, o retorno ao Brasil poderiam ser comprometidos. A situação mudou depois de uma mobilização pelas redes sociais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ajuda veio de seguidores Segundo Georgios, mais de dez pessoas contribuíram com diferentes valores depois que ele pediu ajuda nos stories do Instagram e houve a divulgação de sua situação. “Umas (pessoas souberam) pela matéria de vocês e também tinha postado nos meus stories pedindo ajuda”, contou. Ao todo, o viajante calcula ter recebido aproximadamente R\$ 350, incluindo contribuições feitas por seguidores e também pelo irmão. Com o dinheiro, Georgios conseguiu pagar cerca de 10 mil pesos argentinos, aproximadamente R\$ 35 segundo o cálculo feito por ele, para regularizar o visto. Também gastou cerca de 23 mil pesos, cerca de R\$ 80, em compras no mercado. Além dos alimentos, adquiriu um botijão de gás para cozinhar, um par de luvas e um casaco corta-vento para enfrentar as baixas temperaturas da região. O ajudante de pedreiro afirmou que ainda mantém cerca de R\$ 50 reservados para alguma emergência durante o restante do trajeto. O ajudante de pedreiro de São Vicente foca na reta final da viagem, que deve ser concluída até dezembro (Arquivo pessoal) Concluir a viagem até dezembro Com a documentação regularizada, Georgios recebeu autorização para permanecer na Argentina até 29 de dezembro. O prazo permite que ele conclua o percurso até Ushuaia e, depois, inicie o retorno ao Brasil com mais tranquilidade. Apesar do alívio, os custos continuam sendo um desafio. Georgios não consegue calcular exatamente quanto gastou desde que saiu de São Vicente, mas estima que o valor já tenha ultrapassado R\$ 1 mil. Entre as principais despesas estão alimentação, roupas, hospedagens emergenciais e reparos na bicicleta. Segundo ele, a diferença de preços também ficou mais evidente com a chegada à Patagônia. Saudade do arroz com feijão Depois de quase seis meses na estrada, a distância de casa também começa a pesar. Quando questionado sobre aquilo de que mais sente falta, Georgios não hesitou: a comida brasileira. “Um arroz com feijão, uma salada e até um ovo frito. Meu Deus, aqui só tem feijão preto e em lata”, brincou. Mas a longa viagem também trouxe aprendizados que, segundo o ajudante de pedreiro, vão muito além dos quilômetros percorridos sobre a bicicleta. “Aprendi que a felicidade não está em ter muito. Está em valorizar o pouco. Aprendi a agradecer por um prato de comida, por um lugar seguro para dormir, por uma pessoa que estende a mão e até por mais um dia de estrada”. Para Georgios, as dificuldades enfrentadas desde o início da aventura também mudaram a maneira de enxergar os próprios limites. “Essa viagem me ensinou que a gente é muito mais forte do que imagina”. Agora, com mantimentos, roupas para o frio e a permanência na Argentina regularizada, o viajante volta a concentrar as forças no objetivo que o colocou na estrada há quase seis meses: alcançar Ushuaia de bicicleta.