[[legacy_image_103390]] Cresceu em 30% o número de animais adotados durante o período de isolamento social, de acordo com a pesquisa Radar Pet 2021. O levantamento mostra, ainda, que para 23% destas pessoas este será o primeiro pet de estimação. A divisão nos lares brasileiros pende mais para os cachorros, que representam 44% dos animais nas residências, enquanto 21% são gatos. A adoção também tem se mostrado mais expressiva em relação à compra. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Hermínia Isaura Mato Souto é uma das pessoas que optou por adotar pets na quarentena. "Desde criança tive animais em casa, mas havia perdido meu animalzinho, um gato de 21 anos, pouco antes do início da quarentena. Com o isolamento, passei a me sentir muito sozinha e foi quando decidi adotar 2 gatos, Sofia e Luigi. São minha companhia e trouxeram a alegria de volta à casa", relata. Segundo a aposentada, os pets melhoram também a qualidade de vida. "Eles brincam e me fazem rir a todo instante. Escolhi gatos justamente por isso. Como moro em apartamento, acho que cães não são ideais, pois ficam presos. Cães e gatos têm personalidades muito diferentes. O gato é mais caseiro, se apega ao local, e o cão é mais expansivo", comenta. AlegriaHermínia acredita que colocar os gatos em casa mudou o local "a casa não tinha alegria, estava triste, e com eles até minha expectativa de vida eu sinto que mudou. Amo estar em contato com os animaizinhos. Sempre digo: tenham cuidado com pessoas que não gostam de animais". Segundo o psicólogo Sidney de Oliveira, não se pode generalizar a adoção. Segundo ele, nem todos adotam só porque se sentem sozinhos. E nem sempre adotar resolve a questão. "É importante ressaltar que um animal exige atenção, responsabilidade e dedicação. Há raças com temperamentos muito característicos e que podem se encaixar melhor para uma pessoa ou família" , explica. "São pequenas ações somadas que ajudam a saúde mental de uma pessoa. Incluir um animal em casa é uma mudança na rotina, mas, quando compatível, pode contribuir de forma positiva e ajudar. Que fique claro que ajudar não significa resolver ou substituir", relata o psicólogo. [[legacy_image_103391]] A veterinária Ana Carolina Poletto Corrêa alerta para a mesma questão. Segundo ela, existem certas raças que demandam maior gasto de energia e, em apartamento, isso pode ser mais difícil. "A não ser que o tutor tenha disponibilidade de tempo para passear com o animal. Muitas vezes eles precisam correr também. Raças como o Golden, Border Collie e mesmo o Beagle são assim, precisam gastar muita energia", alerta. Para apartamento ela recomenda o Shitsu, Yourkshire, Spitz alemão ou Maltês. "São raças de cães mais calmas, e vivem bem dentro de espaços pequenos. Agora, se o animal fica muito tempo sozinho, aí recomendo um gato, que é mais independente, sem dúvida". A médica veterinária Alessandra da Silva Gonçalves, especialista em gatos, lembra que antes da escolha vale refletir sobre a disponibilidade e a rotina do tutor. Gatos são, sem dúvida, melhores para apartamentos, mas é importante cuidados com a tela nas janelas e reservar um pequeno espaço ao animal para as necessidades, além da comida e da água. "Uma média de 90% dos gatos aprendem a usar a caixa de areia sozinhos e nem precisam de passeios". Ela alerta, também, para algumas raças de cães que precisam cuidados específicos, como Shitzu, Lhasa Apso, Chow Chow e Golden. "São lindos, mas precisam de atenção especial à pelagem e são mais propensos a doenças dermatológicas. O Pug, que tem olhos mais expostos, pode ter problemas oculares mais facilmente", explica. Cuidados básicosPara o médico veterinário Eduardo Filetti, ao adotar, a maioria das pessoas até dá carinho, mas se esquece muitas vezes de cuidados básicos como a vacinação: "A pessoa não sabe que precisa dar 4 doses da vacina V-10, outra contra a raiva, e a da giárdia. Muitas vezes só leva ao veterinário após o animalzinho ficar doente ou ter um problema". Ele diz que houve um aumento entre 30 e 40% nas adoções de pets durante o período de isolamento. "Creio que as pessoas têm visto a efemeridade da vida e passaram a dar mais valor a coisas simples, como estar juntas, dar e receber carinho e cuidar de alguém". Porém, para Filetti, comprar não é a melhor opção: "É sempre melhor adotar. Sempre digo isso. Parece que o animalzinho adotado reconhece e retribui de alguma forma. Mas é importante levar em conta a relação entre tutor e animal. Tem que haver compatibilidade. Cães, por exemplo, são divididos em grupos: de caça, guarda ou luxo/passeio. Cada grupo tem suas características de local pra viver e hábitos. Por isso é muito importante conversar com um veterinário sempre antes da escolha do animal", explica. AbandonadosLeila Abreu, assessora de comunicação da ONG Viva Bicho, explica que existe um questionário para aprovação da adoção dos pets. "De cada 100, aprovamos em média apenas dois. E mesmo assim doamos muito". Segundo ela, muitas pessoas querem dar um filhote para a mãe que mora sozinha ou para uma criança que está sem aulas, por exemplo, e resolver uma questão pontual. "Adoção envolve amor, de início, mas também dinheiro, dedicação, cuidado. Não doamos para pessoas que trabalham o dia inteiro e deixem o animal sozinho em casa, pois eles vão chorar o tempo todo, incomodam vizinhos, ficam depressivos. Enfim, acabam retornando para nós", explica. Leila diz que o aumento de abandonos dos animais tem ao menos uma explicação: "as crianças voltaram às aulas, as pessoas estão retornando aos seus trabalhos e, infelizmente, muitos animais adotados já não são mais vistos como necessários para essas pessoas. Usaram enquanto precisavam e aí descartam. Triste, mas uma realidade", conta. A pesquisa Radar Pet 2021 mostra que cerca de 30% dos pets foram adquiridos durante o período de isolamento social, especialmente gatos, e 23% dos tutores adquiriram o primeiro pet na pandemia. Os números da pesquisa mostram, também, que 44% dos domicílios brasileiros possuem cães e 21% de gatos. A pesquisa mostra ainda que a adoção de pets tem se mostrado uma tendência em relação à compra, sendo que a escolha de felinos abandonados é expressivamente superior à de cães.