[[legacy_image_345010]] A morte de Olympio Lima não impediu que o Jornal A Tribuna seguisse sua jornada. Amigo e testamenteiro de Lima, José de Paiva Magalhães assumiu a administração até 1909, auxiliado pelo secretário Euclides de Andrade. Redação e oficina gráfica ficavam, à época, na Rua General Câmara, 27. No entanto, Magalhães não tinha habilidade para manter a empresa equilibrada financeiramente, a ponto de o jornal quase ter acabado por dívidas. Naquele mesmo ano, o cearense Manoel Vicente do Nascimento Júnior, um jornalista de 33 anos, tinha chegado recentemente a Santos. Ele já havia passado pelo carioca Jornal do Brasil e também pelo O São Paulo, da Diocese do Estado, soube da situação e viu-se atraído pelo desafio de reanimá-lo, dando o maior lance em leilão público. Em companhia de seu amigo e futuro sócio, Róssio Egídio de Souza Aranha, Nascimento Júnior aproveitou a capacidade de trabalho e a honestidade de Magalhães, dando-lhe a incumbência da tarefa de agente de venda avulsa (distribuição). Meses depois de adquirir os bens de A Tribuna, Róssio precisou viajar à Europa para tratar de sua saúde. Ao retornar, propôs ao amigo a venda de sua parte na empresa, tornando Nascimento Júnior o único dono do diário santista. Os processos de produção e impressão começaram a ser modernizados. Em janeiro de 1911, vieram os primeiros clichês em zincografia e fotogravura, preparados no ateliê de clichagem. Era o início da evolução técnica e das transformações gráficas nas capas e páginas internas. As páginas cor-de-rosa foram substituídas, em 25 de outubro daquele ano, pelo papel branco. Em 1912, A Tribuna já se encontrava em condições de passar da máquina plana à rotativa Albert, importada da Alemanha. As caixas de composição lenta foram substituídas nesse mesmo ano por três máquinas Linotype (linotipos) trazidas dos Estados Unidos. O linotipo (equipamento de composição automática) decretou o fim da confecção manual. Todas as inovações foram consideradas arrojadas para a época e seguiram firmes. Os processos de modernização contaram também com a reforma do parque gráfico, a ampliação de vários setores, dentre os quais o de publicidade, e a composição de um quadro de bons redatores. A Tribuna ampliou seu serviço telegráfico, firmando acordos com agências de notícias nacionais e internacionais conceituadas. Com o investimento, foi possível acompanhar cada movimento, por exemplo, das tropas que combatiam na Primeira Guerra Mundial, a partir de 1914. No mês de março de 1916, porém, é que a Europa passou a ter grande destaque nas capas do jornal, que já contava com 12 páginas. Em 26 de outubro do ano seguinte, a manchete era que o Brasil declarava guerra à Alemanha. Em Santos, as exportações diminuíam em razão do conflito e isso atingia diretamente o café. A Primeira Guerra durou até 1918. Prédio próprioO ano de 1919 foi especial. Com 35 anos de existência, o diário se mudou para prédio próprio, na Rua General Câmara, 90/94. Na época, era redator-chefe Menotti del Picchia, poeta, contista, romancista, cronista e ensaísta, depois um dos grandes nomes da Semana de Arte Moderna de 1922. Anos depois, em meados da década de 1920, o genro de Nascimento Júnior, Giusfredo Santini, assumiu a superintendência do jornal, dando-lhe nova dimensão. Na crônica que marcou o cinquentenário do jornal, em 1944, Euclides de Andrade conta como sogro e genro se complementavam. “O braço direito de Manoel do Nascimento Júnior é seu genro, Giusfredo Santini, um rapaz que nasceu para exercer as altas funções de ministro das Relações Exteriores em qualquer governo bem organizado. Um gentleman na mais verdadeira acepção do vocábulo britânico; um diplomata de raça, um cavalheiro que só tem feito amigos na terra em que reside e na qual constituiu família. Santini é o superintendente administrativo e coproprietário da Tribuna. Tem pelo jornal o mesmo ardoroso entusiasmo, o mesmo extremado carinho que lhe vota Nascimento. Um é complemento do outro, são dois cérebros trabalhando, sincronizados, para o mesmo objetivo: o ininterrupto engrandecimento do magnífico órgão da opinião santense.”