[[legacy_image_190475]] Cidades conectadas, em que o uso da tecnologia serve para facilitar o dia a dia dos cidadãos, reduzir desperdícios, economizar recursos naturais, agilizar serviços públicos e melhorar a mobilidade urbana. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Um dos temas de grande destaque no Summit da Construção Civil, realizado na última segunda-feira, no auditório do Grupo Tribuna, foi o conceito de ‘smart city’, ou ‘cidade inteligente’. Rodrigo Perpétuo, diretor-executivo para a América do Sul do Iclei, uma rede global de mais de 2.500 governos locais e regionais comprometida com o desenvolvimento urbano sustentável, apresentou o conceito e pontos necessários para que uma cidade se torne “inteligente”. “Quando pensamos nesse tipo de conceito, obviamente nos recordamos da tecnologia, mas temos de pensar em como ela pode nos beneficiar no dia a dia”, disse. Foi com essa fala que Perpétuo defendeu seu ponto para que cidades inteligentes tenham ainda mais comprometimento em relação a políticas sustentáveis e desenvolvimento urbano. Segundo ele, um dos passos fundamentais para a automação dos municípios é trazer informação através de sistemas tecnológicos, melhorar a mobilidade dos munícipes, mas mantendo toda a identidade cultural do local, preservando a memória e valorizando o diálogo com outras culturas. As sementes do conceito de cidades inteligentes foram lançadas na década de 1980. Os exemplos da época tinham em mente realidades como as do Vale do Silício ou então falavam de futuros centros urbanos com informações avançadas e complexos de fibra ótica. Hoje, os especialistas citam a inevitável adoção de tecnologias como Internet das Coisas (IoT), wi-fi, big data, cloud computing e aplicativos para celulares que controlam o dia a dia, suportadas por infraestruturas de fibra ótica, redes móveis 5G, data centers, e dispositivos adequados que permitirão responder aos desafios e à visão transformadora das zonas urbanas. Santos Alessandro Cardoso Lopes, arquiteto e urbanista de Santos, também participante do painel, disse que a cidade de Santos já se enquadra nos moldes primários para se tornar uma smart citie em breve. “Temos uma região metropolitana toda interligada. Está fácil pra gente”. “Temos seis faculdades de Arquitetura e Engenharia na cidade, vários construtores, agora é a questão de nos empenharmos um pouco mais", disse o urbanista. Alessandro ainda citou o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e a automação de projetos na cidade como acertos na questão da tecnologia e inovação por parte do governo local. Mobilidade Urbana Sérgio Avelleda, diretor de Mobilidade Urbana do World Research Institute e professor do Insper, diz que Santos tem muito potencial para se tornar uma smart city justamente por ter uma área pequena em questão de território. Durante sua apresentação, Avelleda trouxe o exemplo da cidade de Barcelona, na Espanha, onde cinco milhões de pessoas vivem em 648 km quadrados. A concentração de pessoas em uma mesma área aumenta o incentivo para a população usar outros meios para se locomover além de automóveis, o que consequentemente diminui a poluição do ar e mortes no trânsito. Para ele, cidades com um território extenso acabam se prejudicando justamente pela necessidade de deslocamento exagerada entre um lugar e outro. O especialista comparou Barcelona à cidade americana de Atlanta, que tem população semelhante (5 milhões de pessoas), mas uma área ocupada muito superior. Além da mobilidade mais complicada, Atlanta emite pelo menos seis vezes mais gás carbônico na atmosfera em comparação com Barcelona. As mortes no trânsito também são diferentes entre os dois municípios. Em Barcelona, morrem 31 pessoas por ano, enquanto em Atlanta, 564. A mobilidade por carro representa 95% em Atlanta, e em Barcelona, apenas 27%. Transporte público Outro destaque apontado por Avelleda foi a questão do transporte público e de como isso pode desafogar as ruas de uma cidade. "Vou dar um exemplo da cidade de São Paulo. Se todo mundo que tem carro no local resolver sair na mesma hora de casa, a cidade trava e ninguém vai conseguir andar". Em 2050, sete em cada dez habitantes viverão em áreas urbanas com mais de 10 milhões de moradores, o que vai aumentar a importância do transporte público, citou Avelleda. Para ele, o investimento e planejamento das ruas para os ônibus darão muito mais mobilidade para a população. Ele acredita que essa política está sendo seguida em Santos, mas ainda necessita de alguns ajustes em algumas áreas do município.