[[legacy_image_255708]] Por mais que se acredite que se trata de uma profissão inexistente, José Luiz Tahan é um livreiro. Após reunir mais de três décadas de experiências por trás do balcão de uma livraria de rua em Santos, Tahan estreia como autor com o livro de crônicas Um Intrépido Livreiro nos Trópicos: Crônicas, Causos e Resmungos, que relata histórias e reflexões sobre sua carreira como livreiro e as pessoas que conheceu nesse período. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A obra chega às prateleiras pela Vento Leste Editora e será lançada inicialmente em Santos, com sessão de autógrafos neste sábado (25), às 15 horas, na Realejo Livros (Av. Marechal Deodoro, 2, Gonzaga). A partir de abril, também ocorrerão lançamentos em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O livro é uma declaração de amor às livrarias de rua, aos livreiros e, é claro, aos leitores, já que Tahan acredita que a melhor parte da profissão que exerce há 32 anos é encontrar o leitor certo para a obra que julga ser ideal para ele. “A proximidade com os leitores é muito importante e só acontece em livrarias físicas”, afirma o livreiro. Livro de memórias Tahan conta que decidiu reunir essas histórias em um livro porque sempre teve facilidade em se expressar por meio do texto. Ele recebeu convites para escrever crônicas ou artigos para diversos periódicos. Além disso, sempre escrevia em suas redes sociais, que acabaram se tornando uma espécie de diário. “Meu livro acabou sendo uma soma disso tudo e acabei me acostumando com a ideia de transformar minhas vivências em livro, uma espécie de livro de memórias numa livraria. De um livreiro que expressa sua relação com leitores e escritores em forma de crônica, de causos, muitas vezes reflexivos, outras vezes engraçados”. Entre as histórias do livro, uma que Tahan destaca é a de sua amizade com a escritora que escrevia sobre gastronomia na Folha de S. Paulo, Nina Horta, morta aos 80 anos, em 2019. “Ela havia participado de um evento, roubou a cena, mas esqueceu o computador na poltrona do teatro onde foi realizado. Eu achei o computador e o entreguei. Assim, iniciamos uma relação de amizade”. Vida longa às livrarias de rua Em sua obra de estreia, Tahan também reflete sobre o mercado editorial no Brasil e a importância das livrarias de rua, em um momento em que muitas estão fechando e as pessoas passaram a comprar livros pela internet ou adotaram dispositivos eletrônicos, como o Kindle. “Tenho fé de que isso não acontecerá”, comenta o autor sobre a possibilidade das livrarias físicas serem extintas. “Elas são centros de difusão do conhecimento e da cultura, e sua importância vai além da venda de livros”. “Há poucas profissões mais nobres que a de livreiro. Talvez os médicos, que amenizam nossas dores, os palhaços, que nos dão alegria, e os jornalistas, que nos informam sobre o mundo. Mas, pensando bem, o livreiro também faz um pouco dessas três coisas. José Luiz Tahan é um livreiro”, ressalta.