[[legacy_image_212720]] As causas que levam as pessoas a aceitarem relacionamentos tóxicos inspiraram a autora Jessica Cardin a escrever seu primeiro livro de romance ‘Para onde atrai o azul’, lançado em setembro deste ano. O fato que ocorre com diversas pessoas na vida real é contado sob a perspectiva fictícia da protagonista narradora Heloise, que vive uma paixão com o professor de literatura e vê a relação avançar para armadilhas psicológicas, intelectuais e emocionais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "Minha inspiração surgiu da curiosidade de construir personagens cujas trajetórias dessem pistas para estes motivos, que não são sempre os mesmos, claro, mas que pudessem trazer contextos mais amplos de suas histórias, mais do que fotos estáticas, um momento em que um é vítima e, o outro, algoz. Durante a vida, que é tão dinâmica, vivemos vários papéis. Essa dança, por assim dizer, era o que me interessava em mostrar, qual repetição de passos levaria a essa coreografia macabra". Para escrever o livro, a autora pesquisou estatísticas e dados sobre os problemas tratados no romance, como depressão e abusos. "Me deu clareza para defender essa história como sendo completamente verdadeira, ainda que fictícia. Ela está acontecendo agora mesmo, em alguma casa ao lado”, explica. Segundo Cardin, a história é narrada pela própria protagonista, pois “o tema do livro e essa tentativa de entendimento de relacionamentos nocivos que alguém escolhe, de alguma maneira, viver, só poderia ser contado do ponto de vista de quem viveu". A oposição entre o imagético e simbólico da protagonista e o namorado - intelectual e hábil em linguagens elaboradas e difíceis - é contada de forma lírica. "A linguagem poética tem disso: dizer sem dizer, dizer por meios que não são os mais diretos ou imediatos. A forma poética me abriu possibilidade para dizer que minha protagonista vê o mundo de forma ambígua. Nenhum objeto é apenas um objeto. Olhos são asas que se abrem, o deslumbre é um véu que cobre. [...] Uma coisa nunca é apenas ela, mas sempre também outra. Amor é também nojo, violência, mal estar". Além disso, Cardin conta que o lirismo é baseado em idealizações criadas sobre as pessoas amadas. "Nunca é possível conhecer alguém completamente: parte do que achamos que sabemos é sempre uma invenção. A linguagem poética chega a ser uma forma de encobrir a violência contida no relato, pois de outra maneira, seria ainda mais pesado". Desta forma, o principal objetivo da autora é alcançar quem vive ou viveu situações parecidas com as narradas na obra. "É um livro que eu gostaria de ter lido ao final da adolescência, portanto espero que mulheres e homens jovens possam ler e refletir sobre estes temas”, afirma. Além disso, Jessica Cardin quer que aqueles que estejam criando crianças possam ler o livro. “Porque ainda não aprendemos, enquanto sociedade, a nos relacionar sem dominar. O poder me parece sempre a questão central de toda relação, seja institucional, familiar ou amorosa", finaliza.