[[legacy_image_270305]] Não bateu o santo... É preciso somente um piscar de olhos, um fragmento de segundo, para uma primeira impressão, mas pode demorar uma eternidade para que ela seja desfeita. Outro dia me peguei com esse sentimento quase gratuito de antipatia e tentei lutar contra ele. Me achei injusta. Sabe como é, autêntica aquariana, sócia honorária da liga da justiça. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! E por mais que a gente tente evitar, essa ideia que formamos ao conhecer um lugar ou alguém se fixa na nossa mente e é difícil mudá-la. Julgamentos precipitados fazem parte de ser humano. É como um instinto. Mas será que ele é infalível? Sou propensa a pôr fé em intuição, mas não sei se isso se encaixa em sentimentos sobre outra pessoa. Como é difícil mudar o fato de desgostarmos de algo ou de alguém logo de cara. Mesmo que outras informações contradigam a opinião formada no primeiro momento, ela continua se impondo. É como uma luta de sentimento com racionalidade. O que faz a gente confiar em alguns e não em outros? Sou daquelas que dificilmente não vou com a cara de alguém à primeira vista. Lembro de poucos que ‘não me descem’ sem motivos aparentes. Mas eles existem. Outro dia encontrei uma dessas pessoas na casa de um amigo em comum e me propus a uma missão: dar uma chance a nós. Sem pré-conceitos, tentando me despir de toda aquela ideia que fixei logo de cara. Não há uma segunda chance para a primeira impressão, mas deve ser possível sim recuperar a reputação. A minha tentativa me mostrou que não seremos melhores amigos, mas será possível manter uma relação tranquila, sem eu desejar fugir para as montanhas a cada vez que nos cruzarmos. Mais difícil do que reverter uma primeira impressão é aceitar uma decepção. Talvez seja, então, um instinto de sobrevivência, de proteção. Mesmo que não criemos expectativas sobre as pessoas, elas vêm e nos deixam sem chão quando são quebradas. Um certo grau de ceticismo sobre qualquer relação é saudável para se evitar maiores desencantos. Não dá para se jogar de cabeça em amizades, namoros, negócios. Um pezinho atrás é recomendado. Confiança requer disposição e esforço de ambas as partes. Não sei bem o motivo, mas há também situação inversa. As vezes que o santo bate logo de cara e parece tudo tão fácil. Não sei bem o que nos leva a isso, mas quando acontece a sensação é boa demais. Geralmente, as melhores amizades nascem dessa cumplicidade imediata. Você mal é apresentada à pessoa e já está trocando confidências como se sempre se conhecessem. Há quem diga que é o santo ou que fale em energia. Para quem acredita em outras vidas, talvez seja o caso de um reencontro. A neurociência diz que alguns sinais que um indivíduo emite evocam em nós lembranças de experiências ou de pessoas desagradáveis ou agradáveis, o que acaba disparando essa sensação de antipatia ou simpatia imediata. Podem ser características físicas, tom de voz, gestos específicos, pequenas expressões, formas de se vestir, cheiros e até mesmo o nome da pessoa. E quando o cérebro precisa de decisões rápidas, pega esses atalhos. Daí vem esses sentimentos tão humanos que podem definir uma relação em um piscar de olhos.