[[legacy_image_252591]] Poder rodar o mundo para se encontrar não é privilégio de muitos. E mesmo os que têm essa oportunidade, precisam de intensidade com um toque de ousadia para chegar ao sucesso. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! É o caso da ceramista e muralista Cristiana Ventura. Nascida em Santos, ela vai participar da 12ª Semana de Design de São Paulo, a Design Weekend (DW), um dos maiores eventos do gênero no mundo, a partir do próximo dia 11, na Capital. “Não vislumbrava participar da DW tão cedo, porque precisaria de um investimento alto, especialmente para uma artista independente. Imaginava daqui a uns 10, 15 anos”, explica a santista. Ela leva para o evento peças de tapeçaria de parede, em parceria com Gabriela Mota, e algumas cabeças, que começou a ver em Bali e a inspiraram na cerâmica. “Levo algumas peças registradas para parede, como uma tapeçaria de 1,70m com uma sereia. Terá também uma tapeçaria com onça, e outras três com as cabeças”, diz a artista, que será representada pela loja Lendária, ao lado de Ida Feldman. A mistura de cerâmica com tapeçaria caiu logo no gosto de quem aprecia seu trabalho. “Não é algo que já existia. Começamos a atrair muitos interessados. Toda vez que ponho no Instagram, são as peças mais compartilhadas. Comecei a ver que é ideia legal misturar esses caminhos”. Conexão Londres E pensar que tudo começou numa renomada escola de arte em Londres, na Inglaterra. Lá, mergulhou no mundo da moda. Mas, sobretudo, se apaixonou pela arte. E uma viagem para a Índia começou a mudar sua vida. “Um amigo indiano, que é estilista e estudou comigo em Londres, me convidou para seu casamento. Aquela viagem virou chave na minha cabeça”. A grife de slow fashion (itens com longa durabilidade, de material com consciência e sem exploração de mão de obra) que mantinha, a Rockstone, foi encerrada. E entre aulas de pintura, linogravura e monotipia, os sonhos com a Ásia começaram a preencher as noites de sono. Fosse Tailândia, Camboja ou a própria Índia, um roteiro ia se formando na sua mente. E a ilha de Bali, na Indonésia, virou o centro de uma virada na vida de Cristiana. “Fiquei dois meses viajando pela Ásia, mas fiquei mais tempo em Bali, que me apaixonou. A ideia de morar lá passou a me acompanhar”. A cerâmica em sua vida O aprendizado de técnicas de estamparia encheu os olhos da artista, que logo imprimiu sua marca, para surpresa e encanto da professora local, com cores e nuances diferenciadas. Mas era preciso voltar ao Brasil. Na mala, trouxe a cerâmica. “Quando voltei a Bali, onde morei por dois anos, entendi que deveria estudar cerâmica. Lá, eles eram muito abertos, e a Ásia tem uma bagagem grande nessa arte”. Chegamos a março de 2023. Às portas de participar da DW, a artista ainda diz não acreditar na oportunidade. Mas sabe que é uma oportunidade única – como uma volta ao mundo. “Estou superanimada. Não estou acreditando que está acontecendo. Fico feliz em fazer parte disso”.