[[legacy_image_248962]] Para destacar e evidenciar a arquitetura santista, a artista plástica Márcia Santtos transforma um simples objeto, que normalmente seria descartado, em uma ferramenta para conscientizar e, consequentemente, preservar construções que ajudam a contar a história e o desenvolvimento do País. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Gravuras autorais, produzidas em matrizes originais de embalagens cartonadas, também conhecidas como embalagens tetrapak, dão vida à mostra itinerante A Cidade como Identidade. A exposição, gratuita, passará por cinco cidades do Estado neste primeiro semestre e promete mostrar que a beleza arquitetônica de Santos vai além dos cartões postais, como a Bolsa do Café, a Prefeitura e as famosas muretas. Entre março e abril, a mostra estará em Praia Grande. “Eu vou estabelecer um diálogo com a arquitetura anônima, a arquitetura de bairro: uma arquitetura que está, na maioria das vezes, deteriorada, mas que é maravilhosa”, explica a idealizadora do projeto. Diferencial e valorização Márcia conta que um dos principais motivos de expor as gravuras é que a população comece a valorizar, não só os pontos reconhecidos como patrimônio histórico, mas a arquitetura anônima. “Tento fazer esse diferencial, de destacar uma arquitetura que não é tão percebida, que não está tão evidente, mas que existe, está ali, e que as pessoas que circulam pela Cidade acabam não percebendo, ficando sempre nos mesmos pontos”. A artista plástica acredita que sua arte traz um diferencial, pois foge dos pontos turísticos que “todo mundo conhece”. “Vejo os artistas da Baixada retratarem a arquitetura já conhecida, que o pessoal faz fotografia, desenho, gravura. As imagens que eu trago são anônimas”. O processo de produção Desde 2016 Márcia Santtos vem desenvolvendo as obras para A Cidade como Identidade e a inspiração não veio de longe. “Eu fazia caminhadas perto do meu ateliê, na Vila Mathias, em Santos, e comecei a pensar em gravuras”, explica a artista. No bairro, descartados no chão das ruas, a artista encontrou caixinhas cartonadas (tetrapak) e as embalagens acabaram se tornando ‘carimbos’. “A gravura é como se fosse um carimbo. O artista faz o carimbo, passa a tinta e imprime isso várias vezes, um processo manual”, afirma. Ela também faz um paralelo da ‘vida’ das embalagens cartonadas com a arquitetura das cidades. “Da mesma forma que é uma embalagem que tem marcas de uso, como alguns amassados, a arquitetura anônima também apresenta, muitas vezes, partes deterioradas. Ambas possuem uma história por trás que quem as usou”. [[legacy_image_248963]] Videoaulas Como parte das ações que integram o projeto, Márcia Santtos realizou o lançamento virtual da videoaula “Ensinando gravura com matrizes cartonadas”, com foco em professores e educadores, trazendo adaptações acessíveis para o ensino dos processos de gravura em relevo e côncavo, em contextos formais e informais. Com direção de Madeleine Alves, fotografia e edição de Fabiano Keller, em pouco mais de 20 minutos, a arte-educadora demonstra procedimentos necessários para a impressão de gravuras de maneira simples e prática, visando os mais diversos cenários e propostas educacionais, com a utilização de artigos reutilizáveis, materiais comuns à realidade escolar (guache, tinta a óleo, giz de cera, papel de seda, cartolina, entre outros) e utensílios domésticos. A videoaula já está disponível no canal do YouTube do Gravurar (@gravurar). A mostra A exposição A Cidade como Identidade integra o projeto homônimo, contemplado pelo ProAC – Programa de Ação Cultural 2022 e tem o aporte financeiro da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. A exposição está em Ribeirão Preto; em março e parte de abril estará no Complexo Cultural Palácio das Artes (Av. Costa e Silva, 1.600), em Praia Grande; depois, segue para Taubaté, também em abril; Franca, em maio; e Bauru, em junho.