[[legacy_image_27217]] Douglas Martins Cidade: Santos Partido: PT Número: 13 Santos do mar à maré Durante reunião que fiz no Morro Nova Cintra, com moradores e lideranças, uma das participantes pediu a palavra para resumir a condição de abandono em que se encontram as pessoas daquele e de muitos outros lugares. Santos, disse ela, precisa de alguém que olhe com atenção para os que mais precisam, que ouça o que as comunidades têm a dizer e que governe realmente para todos, do mar à maré. Dias depois, em outro encontro, um antigo dirigente sindical, homem de cabelos brancos como os meus, emocionou-se ao relatar o que ele dizia ser “um sonho” – o sonho de que os trabalhadores de Santos e do Brasil retomem seus direitos, sua força, sua dignidade. Desde que o Partido dos Trabalhadores lançou meu nome para concorrer à Prefeitura, tenho ouvido muitas vezes as mesmas perguntas: por que sou candidato e por que quero ser prefeito? A resposta pode ser encontrada nas duas histórias acima. Santos está há 25 anos entregue a uma espécie de consórcio político-empresarial que se dedica dioturnamente ao marketing da “boa cidade para se viver”, ignorando que dezenas de milhares de pessoas dessa mesma cidade vivem em condições extremamente precárias – seja em barracos sem porta, equilibrados sob palafitas, na Zona Noroeste, ou amontoadas em cortiços na região central. Esse mesmo consórcio, mais recentemente, associou-se ao grande projeto de destruição nacional que teve início no golpe de 2016 e se acentuou no atual governo, produzindo desemprego, miséria, fome e desesperança, com ataques massivos que atingiram primeiro os trabalhadores e os mais pobres, mas que já provocam reflexos devastadores também em amplas parcelas da classe média. Procure, entre os candidatos que hoje despontam como favoritos na eleição santista, quais deles se opõem verdadeiramente a este projeto nefasto, no plano nacional, ou mesmo às linhas centrais da política local. Não existe. São todos farinha do mesmo saco. Procure um que defenda os trabalhadores e seus direitos. Procure um que apresente propostas claras de inclusão social, econômica e cidadã. Não há. Sou candidato a prefeito porque Santos precisa, urgentemente, de uma oposição de verdade, que mude de forma inequívoca o rumo e as prioridades da administração pública municipal, e que se coloque em oposição direta e permanente ao projeto de destruição do Brasil – sem isso, a tal boa cidade para se viver ficará restrita a um grupo cada vez menor de santistas.