[[legacy_image_263528]] Você ainda imprime fotos? Eu sou do tipo que dá valor a esses prazeres palpáveis. Para mim, não há comparação em se apreciar fotos pela telinha do celular com o papel fotográfico. O físico ganha um status diferente neste universo digital. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Há muita emoção envolvida em revisitar um álbum. Pessoas queridas e momentos importantes congelados no tempo. E quando a gente fica com elas somente na nuvem parece que se diluem, se perdem na memória e na vastidão de informação que armazenamos. Quando não tínhamos todos esses recursos tecnológicos éramos mais seletivos. Não dava para fazer 200 fotos porque tínhamos que comprar rolo de filme e depois, para vermos as imagens, tínhamos que revelá-las. Então, era preciso ser cuidadoso. Escolher momentos precisos para que queríamos eternizar. Claro, nem sempre dava certo. Uma vez, na formatura da minha irmã Renata na pré-escola, meu pai, que sempre adorou tirar fotos, fez muitos cliques da apresentação dela no palco. De vestido vermelho longo, cabelos com tranças embutidas, ela estava linda. Eu registrei na minha memória, porque a maioria das fotos não saiu. Ele cometeu um erro primário: esqueceu-se de tirar a tampinha da lente. Ficou tão bravo consigo mesmo. Minha mãe, depois, comprou algumas fotos oficiais da escola para salvar o dia. Havia toda uma expectativa quando tirávamos o rolo de filme da máquina e deixávamos no laboratório de revelação. Será que ficaram boas? Que fechei o olho? Queimaram? Desfocaram? Tinha tudo para dar errado, mas geralmente dava certo. Até mesmo quando ficávamos com aqueles olhos vermelhos do flash, tinha certa graça. Hoje, temos fotos e vídeos das crianças fazendo todo tipo de estripulia, pose, gracinha, choro, primeiras vezes... Outro dia meu marido fez uma observação pertinente: minhas sobrinhas cada hora se parecem com familiares diferentes, mas, certamente, isso acontece pela profusão de caras e bocas clicadas a todo momento. Fico sempre com medo de perder esses registros e de tempos em tempos, escolho alguns para imprimir no papel, colocar no porta-retrato, no álbum. Na porta da minha geladeira tem a foto dos meus afilhados e a primeira imagem das minhas sobrinhas, irmãs, juntas, no dia do nascimento da caçula. Adoro, logo cedo no café da manhã olhar aquelas pessoas tão importantes para mim. Desde a descrição da caixa escura em por Aristóteles, há quase 2.500 anos, até a descoberta dos processos químicos que culminariam na impressão da imagem, a fotografia nos fascina. Tenho muitas fotos antigas em casa, dos meus avós, sogros, tias e até de gente que eu nem sei quem são. Uma coisa que me intriga é que nas imagens antigas as pessoas são mais sérias, algumas sisudas e outras parecem tristes. Não sei se todo protocolo exigido na época tornava tudo muito formal ou se eram mesmo infelizes. Hoje, todo mundo dá um sorriso para a foto, nem que seja o mais falso do mundo. Como diz minha amiga Luciana Afonso: “Já viu alguém triste no Instagram?” Se falta autenticidade e valorização do que importa nesses tempos modernos, manter alguns rituais como preservar e selecionar momentos importantes de um jeito palpável pode ser um refúgio seguro.