[[legacy_image_273759]] O teatro foi o centro da entrevista com a atriz e diretora Renata Zanetta, diretora artística da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo dos Santos, e Lourimar Vieira, diretor do Teatro do Kaos de Cubatão. Dentre os assuntos, o a formação do ator e o terreno fértil da Baixada Santista para a arte. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Como surgiu a relação de vocês com o teatro? Renata: Como todos: inesperadamente. Aos 14 anos, entrei em um grupo de teatro aqui em Santos, convidada por uma colega de escola, e fiquei até hoje. Ano que vem faço 50 anos de muita história, trabalho e alegria. Lourimar: Vim com 13 anos do Piauí para Santos e conheci a novela. Queria ser ator de novela. Mas, para isso, tem que fazer teatro. Fiz a Paixão de Cristo em Cubatão, em 1981. Logo depois, vim fazer teatro na Cadeia Velha, em frente à Rodoviária de Santos, e estou até hoje. São 42 anos. Como é o trabalho do Teatro do Kaos junto às escolas públicas?Lourimar: Sou formado e Licenciado em Artes Cênicas, mas nunca consegui trabalhar na sala de aula. Optei que minha aula fosse uma história de 50 minutos, uma hora. Fazemos há muitos anos, mas agora, oficialmente, é o terceiro ano do A Escola vai ao Teatro: em 2021, fizemos O Pequeno Príncipe; em 2022, A Revolução dos Bichos; agora, Dom Quixote. A Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo do Santos tem convênio com o Sindicato dos Artistas. Como funciona essa relação? Renata: O curso tem três anos de duração, formando atores e atrizes. A pessoa entra por processo seletivo. Com o certificado, ele vai ao sindicato e retira o DRT para poder trabalhar. Porém, o mais importante para nós é a excelência artística. A escola tem 2 mil horas de carga horária e muitos componentes curriculares. E agora temos uma novidade: abrimos nesse ano um projeto chamado 50+. Tem conteúdo e rigor artístico. Tivemos quatro candidatos por vaga no 50+. É quase a proporção para o curso de formação. Como começou o Teatro do Kaos?Lourimar: Montei em Cubatão um grupo chamado Grupo Teatral Magia da Cidade. Fiquei 10 anos nesse grupo, de 1986 a 1996. Decidi que não queria mais fazer teatro amador e, sim, profissional. Contratamos um profissional que veio da Capital, o Carlos Meceni, para dirigir Caim. Nasceu daí o Teatro do Kaos, em 1997. É uma luta diária. Construímos até nosso próprio teatro. A região é muito fértil artisticamente. Por que isso acontece?Renata: Quando comecei a fazer teatro na Cidade, em 1974, havia mais ou menos 100 grupos de teatro amador em Santos. Acho que é esse pulsar cultural que a gente não perdeu. Temos um movimento aquecido, com muitas atividades culturais e incentivo. Lourimar: O Ney Latorraca falou que o santista é como mato: em todo lugar tem. Cada hora descubro um santista. O Teatro do Kaos também é uma escola. Já colocamos seis alunos na EAD (Escola de Arte Dramática da USP), além de outras. Em contraturno escolar, já atendemos mais de 3 mil alunos. Isso só reforça a importância das escolas de formação...Renata: Muitos dos nossos também vão porque, quando acabam aqui, precisam continuar. Três anos de formação não bastam. Um ator demora dez anos para se formar. E tem que estudar sempre. Mas é superimportante termos em Santos uma pulsação ainda maior, com a lei de fomento para a Cidade, apresentada recentemente e que é fundamental para a cultura. O ator quer o palco. Ainda é pequena a quantidade de teatros na região?Renata: Sim. É uma disputa, mas, de uns anos para cá, todos buscam muito a rua. O teatro nasce na rua. Então, isso de ir para a sala de espetáculos, também limita um pouco. No próximo ano, a escola vai fazer 15 anos e estamos preparando um projeto para comemorar: um trabalho na rua e que fala da cultura caiçara. Estamos atrás dos recursos.Lourimar: Queria que tivesse tantos teatros como há igrejas. Seria maravilhoso. Nada contra. Sou católico, mas minha religião e sacerdócio são o teatro. O teatro é um farol que aponta caminhos para a humanidade. Em Cubatão, só temos o Teatro do Kaos. Esperamos que, um dia, tenhamos mais. Vamos sonhar e acreditar que vai ser possível.