Dançarino se inspira em dança pioneira do século XIX em projeto virtual

Sob olhar contemporâneo, 'Serpentina' resgata o estilo criado pro Loïe Fuller e sua conexão histórica com Santos

Investigando as raízes da dança moderna, Gabriel Fernandez Tolgyesi realiza o projeto Serpentina, um olhar artístico e educativo sobre o estilo pioneiro criado em 1892 pela artista Loïe Fuller (1862-1928). O evento, que conta com oficinas, conversas com a equipe técnica e apresentações de dança, será exibido virtualmente por todo o mês de março, pela Oficina Cultural Oswald de Andrade, com entrada gratuita.

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O estilo veio para Gabriel durante sua pesquisa de mestrado em Artes da Cena, feito pela Universidade Estadual de Campinas, de 2018 até 2020. "Esse projeto específico foi concebido em 2019, antes da pandemia, e teve de se adaptar para esse período, porque não seria possível reunir as pessoas em teatros", explica. Graduado em dança, o artista também é educador, diretor e coreógrafo. 

Loïe é considerada uma das pioneiras da dança moderna. A artista inovou em sua forma de dançar, criando o estilo poético que reinventava as relações entre dança, figurino e iluminação elétrica (uma novidade para a época). Segundo Gabriel, a conexão com sua história e seu conjunto cênico imaginativo, que evocava imagens metafóricas de flores, pássaros, anjos, dentre outros, foi instantânea. "Isso era uma potência no trabalho de Loïe Fuller, esse lugar de metáforas". 

"Achei curioso ela ter dançado em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Santos, e tudo o que implicou nela se apresentar por aqui: na época, a luz elétrica ainda era feita utilizando baterias, então era complexo montar a iluminação elétrica que ela usava. Todas essas curiosidades, junto da complexidade do trabalho corporal e das poéticas possíveis, me instigavam a continuar pesquisando artisticamente, dançando com essas túnicas que escondem e revelam, transformam".

A dança serpentina é um conjunto dessas relações entre as artes, com vários elementos que intercalados, abrem asas à imaginação. "Para mim, a dança serpentina se conecta com a possibilidade de existir em constante transformação. Os longos tecidos marcam as trajetórias dos movimentos no espaço, delineiam os percursos, formam outras imagens, um pouco parecido com o teste de Rorschach".

A dança serpentina de Loïe serviu de inspiração para grandes artistas da virada do século XIX, como os irmãos Lumiére e Alice Guy Blaché. A artista inspirou o primeiro filme em cores, Annabelle Serpentine Dance, de Thomas Edison, feito em 1895. 

O projeto Serpentina reúne todas essas referências artísticas essenciais em um evento de atividades variadas. Apresentando-se virtualmente, Gabriel fará danças autorais que buscam retratar os contextos, vivências e subjetividades que relacionam seu trabalho com o de Loïe.

Na Cidade

A passagem da artista por Santos em 1904 inspira a locação de uma das apresentações, gravadas durante a fase amarela da pandemia, seguindo as medidas de segurança contra covid-19.

Loïe Fuller dançou no Teatro Guarany  em 17 e 19 de maio de 1904. Segundo o pesquisador, este foi o último local com registros de apresentações da artista no Brasil, o que ressalta ainda mais a importância santista no circuito artístico da dançarina.

Todas as ações ocorrem ao longo do mês de março, sempre às segundas e quartas-feiras, a partir das 19h. Para mais informações, acesse o site do projeto

Serviço

Onde: virtualmente, pela Oficina Cultural Oswald de Andrade.
Quando: de 01 a 31 de Março/2021. Segundas e quartas-feiras, a partir das 19h.
Quanto: Grátis.
Mais informações: site Oficinas Culturais.

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