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Sexta-feira

6 de Dezembro de 2019

Amor e arte na peça 'A Ira de Narciso', no Sesc

Monólogo autoficcional será encenado neste sábado (20)

O monólogo autoficcional 'A Ira de Narciso', idealizado pelo dramaturgo uruguaio Sergio Blanco e traduzido por Celso Curi, será apresentado no Teatro do Sesc Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida), às 20 horas deste sábado (20). Os ingressos estão à venda na bilheteria da unidade e variam de R$ 6,00 a R$ 20,00.

Sob a direção de Yara de Novaes, o ator Gilberto Gawronski sobe ao palco com a tarefa de mostrar à plateia uma história que envolve amor, arte e muitos outros aspectos.

“A peça tem várias camadas e, por isso, acredito que a compreensão depende da visão do espectador. Da mesma forma que há aqueles que se prendem ao crime, há quem foque na questão da sexualidade”, revela o tradutor, Celso Curi.

A encenação relata a permanência do autor na cidade eslovena de Ljubljana, onde é convidado a dar uma palestra sobre o famoso mito de Narciso. Ambientado no quarto 228 do hotel onde o personagem está hospedado, o texto apresenta os últimos preparativos desta conferência, ao mesmo tempo em que fala dos diferentes encontros com um esloveno que acabara de conhecer.

Tradução

Antes de trazer o monólogo aos teatros nacionais, Curi assistiu ao espetáculo no Chile. “Fiquei encantado com o texto e imediatamente entrei em contato com o Sergio (Blanco), falando quais eram as minhas intenções”, recordou. Na época, o brasileiro já tinha traduzido um texto do dramaturgo chileno Guillermo Calderón.

Graças a Curi, o casamento entre Gilberto Gawronski e a peça rendeu bons frutos. Em 2018, ele foi considerado o Melhor Ator pelo Prêmio Shell São Paulo. “Em meio a tantos trabalhos, ter esse tipo de reconhecimento é sempre estimulante. Também devemos levar em conta a impulsão que o espetáculo ganhou com isso”, aponta o ator.

Gawronski, aliás, é um acumulador de prêmios. A maioria deles, recebeu durante os 15 anos que atuou na peça 'Dama da Noite', de Caio Fernando Abreu.

Mas a experiência com os recursos da encenação contemporânea de 'A Ira de Narciso' levou o ator carioca a um novo patamar. “Tive que estudar bastante para atingir esse tom, onde fica imperceptível aquilo que é real e inventado, o que é vivido e o que é criado”.

A dupla tem altas expectativas para a apresentação deste final de semana. Para Curi, o teatro santista sempre foi muito forte, com destaque para o amador. “Como o próprio nome sugere, é feito por pessoas que realmente amam as artes cênicas”.

Já Gawronski destaca a importância da cidade em participar do circuito internacional da peça. “'A Ira de Narciso' está em cartaz em Nova Iorque, Barcelona, Montevidéu e Tóquio. Acho muito legal trazer o monólogo para a Baixada Santista”, acredita.

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