Walderez de Barros estrela no 24º Fescete

Atriz e diretora teatral participa do painel de hoje, a partir das 16 horas, do festival santista, onde também é a grande homenageada

A 24ª edição do Festival de Cenas Teatrais, o Fescete, está na reta final. Com encerramento e premiação na segunda-feira, hoje e amanhã, o público ainda pode conferir eventos internacionais, além da sessão com cinco cenas finalistas da mostra adulta. 

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Hoje, às 16 horas, acontece o Painel Internacional de Diálogos Teatrais, com mediação de Júlia Lacerda e Lincoln Spada, e depoimentos sobre o fazer teatral no cenário contemporâneo com diferentes profissionais do setor. Além dos artistas Amauri Alves, Carol Arcoverde, Eliel Ferreira, Maristela Sild e Renata Zhaneta, participa da discussão a atriz e diretora teatral Walderez de Barros, que é a homenageada desta edição. 

“Eu fiquei meio abestalhada, pois lido muito mal com homenagem. Mas pelo fato de não ser presencial, eles quiseram compensar e fizeram muito mais. Foi ótimo e eu tenho uma relação muito afetiva com o espaço, porque minha neta estudou na escola”, conta Walderez, referindo-se ao Tescom, que organiza o Fescete. 

Walderez está também em cartaz até o dia 8, com o ator santista Sérgio Mamberti, na peça A Semente de Romã, de Luis Alberto de Abreu. A intenção era de que o espetáculo estreasse em São Paulo, mas o isolamento social fez com que a obra fosse adaptada para o meio digital. Ela conta que a pandemia tem sido um desafio para a classe artística. 

“Este período para nós de teatro está sendo muito mais doloroso, porque o que estamos fazendo não é teatro, que é uma arte presencial e coletiva. E que se não houver plateia, não acontece. O que estamos fazendo é uma adaptação, uma outra coisa que a gente não sabe o que é direito. Não é teatro, não é cinema, não é TV”, tenta definir. 

Ela considera que este momento é muito parecido ao que viveu nas décadas de 1960 e 1970. “Estamos sem palco. Na ditadura militar também impediram muitos dos nossos trabalhos. Agora é semelhante. Estamos sem poder exercer o nosso ofício. Continuamos a fazer essa coisa por uma questão de sobrevivência, já que o auxílio emergencial, que só chegou agora, é muito pouco.” 

Nascida em Ribeirão Preto, no Interior, Walderez veio para a Capital para fazer faculdade de Artes e foi ali que estreou nos palcos, em 1961, e conheceu o ator e dramaturgo santista Plínio Marcos, com quem foi casada. A sua versatilidade rendeu os prêmios APCA, Molière e Mambembe, entre outros. Em 1968, teve sua primeira participação na TV, com a novela Beto Rockfeller, na TV Tupi, seguindo com mais de 30 participações em séries e novelas, como Hebe, Rei do Gado, Mulheres Apaixonadas, Alma Gêmea e Escrito nas Estrelas. Com 80 anos recém-completados, a atriz não pensa em reduzir o ritmo de trabalho. “Nada mudou. Eu nunca tive uma preocupação com a idade e felizmente tenho uma saúde boa. Mas um preconceito muito grande com a velhice, principalmente das gerações passadas, que acreditavam que a velhinha tinha que ficar sentada na cadeira de balanço fazendo tricô. Ainda tenho muito para fazer.” 

Walderez aguarda o fim da pandemia para o retorno aos palcos. Além de A Semente de Romã, que deve ganhar montagem no Sesc Pompeia, na Capital, ela se prepara para revisitar o espetáculo As Portas da Noite, que deve ter estreia virtual em dezembro. “Estou ensaiando e, depois, quando puder fazer presencial, vamos encená-la”, conta ela, que ainda tem um convite para participar do próximo longa do cineasta baiano Sérgio Machado. 

O Fescete é transmitido gratuitamente pelo YouTube e toda a programação pode ser consultada no site, clique aqui.

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