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Quarta-feira

20 de Novembro de 2019

Um presente para ouvir e chorar junto

Harry lança The Dark Passenger, último álbum com vocal de Hansen

Em 2017, um pouco antes de falecer de forma repentina, o vocalista e guitarrista da banda santista Harry, Marcos Ricardo Pereira da Fonseca, o Hansen, conversou comigo sobre o quão empolgado estava com os próximos passos do grupo. 

Ainda desfrutando da versão roqueira e elétrica do clássico Fairy Tales (Electric Fairy Tales), lançado em 2015, ele revelou que a banda já tinha dois álbuns encaminhados.

Para um admirador da Harry, tal revelação não poderia ter vindo em melhor hora. Antes do Electric Fairy Tales, os últimos registros vieram de forma espaçada: Vessels’ Town (1990) e a coletânea Taxidermy-Boxing Harry (2005).

Agora, The Dark Passenger, enfim, chegou ao público. Disponível desde o fim de setembro nas plataformas de streaming e nas lojas especializadas, a obra é um resgate do início da carreira da banda, com 12 canções em 45 minutos.

“Talvez o Harry tenha várias facetas, tal qual uma pessoa de múltiplas personalidades. E todas fazem sentido para o ser em que habitam. Algumas pessoas que nos conhecem desde o início não estranharam tanto, mas provavelmente deve surpreender os que nos conheciam apenas pela nossa verve eletrônica”, diz o baixista, Richard K. Johnsson.

Considerada a quarta maior banda da história do rock santista, segundo pesquisa de A Tribuna e Blog n’ Roll, a Harry foi pioneira no uso de sintetizadores no Brasil. Sua inovação, inclusive, foi notada pelo mercado europeu nos anos 1980.

Antes da partida

The Dark Passenger, que já tinha todas as músicas completamente gravadas antes da morte de Hansen, chegou a ser repensado pelos músicos. “Passamos um tempo deixando as feridas fecharem e retomamos o projeto. Sentimos que há muita lenha para queimar e estamos mais à vontade para seguir. Se o ocorrido tivesse acontecido com outro elemento da banda, tenho certeza que continuaria. Somos assim”.

Johnsson recorreu ao próprio histórico da banda para falar o que pode soar diferente para os fãs. “O primeiro EP do Harry tinha um blend de elétrico e eletrônico (que na época foi decidido três minutos depois de entrarmos no estúdio para gravar). Quando fizemos o Fairy Tales, entramos no estúdio com todos arranjos no formato elétrico, mas, de novo, decidimos usar bateria eletrônica e várias linhas de baixo e teclados totalmente eletrônicos. A sequência, Vessel’s Town, foi planejado para ser totalmente eletrônico, embora com composições originalmente elétricas. Complicado? Sim. A gente gosta de complicar”.

Quem acompanha a banda desde o início também recorda da forma como vocal era aproveitado nas canções. E isso também tinha uma boa explicação. 

“No início, as partes vocais sempre estavam imersas no meio do instrumental, pois considerávamos a voz um instrumento, e raramente ficava clara e nítida na mixagem. Hoje, esse conceito mudou e o vocal está mais à frente da parede sonora. O que mantivemos foi a mistura de elementos do mundo elétrico e eletrônico se alternando. É como se, não importa a ferramenta, o que queremos é que fique legal no final”.

Em janeiro, a banda deve se apresentar em Santos e São Paulo, para divulgar o novo trabalho. Mas já tem mais material sendo trabalhado. “Temos algum material já finalizado e outras tantas sendo ensaiadas”.

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