Surto de modelo em reality show tem nome: síndrome de borderline

Veja os sintomas, as reações e o tratamento para os portadores desse transtorno

Chute na porta do banheiro, gritos, soco no travesseiro, xingamentos, agressões verbais e quase físicas também.

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As cenas não são fictícias, e desde a semana passada viralizaram nas redes sociais. Elas foram protagonizadas pela modelo Raissa Barbosa, que participa de mais uma edição do reality show A Fazenda, da Record. Após ser indicada por oito participantes do jogo para a “roça” (espécie de “paredão”), Raissa se descontrolou de uma forma nada normal, a ponto de assustar os demais membros da casa e precisar ser contida pelos mais próximos.

O problema de Raíssa tem nome e sobrenome: síndrome de borderline, um transtorno de personalidade que se caracteriza por um padrão mental de instabilidade generalizada e flutuações de humor. Quem sofre da síndrome de borderline pode ir para dois extremos em questão de minutos: euforia e depressão.

Bruno Reis, psiquiatra em Santos, explica que os casos de pacientes com essa síndrome são mais comuns do que se imagina. “No meu consultório, eu não estaria exagerando se dissesse que representam a maioria dos casos”, afirma.

Quem sofre de síndrome de borderline, explica Bruno Reis, tem muita dificuldade para lidar com as emoções e, em geral, potencializa as frustrações ou as situações adversas. Problemas do dia a dia, que ocorrem normalmente na vida de todos, desencadeiam reações exageradas, da mesma forma como as coisas boas, que também despertam um grau de euforia além da conta.

“Quem sofre dessa síndrome tem um medo exagerado do abandono, de não ser aceito, tem dificuldade de se relacionar, de manter as relações que faz”, explica o psiquiatra. O descontrole da modelo Raíssa também tem nome, segundo a psiquiatria: episódio reativo a uma crise. No caso dela, foi saber que havia sido indicada para a “roça”.

Como agir

E como as pessoas devem agir diante de alguém que está com esse comportamento desencadeado? Bruno Reis dá as dicas: manter a calma, falar em um tom de voz mais baixo, falar palavras de conforto à pessoa em crise. Em geral, diz o médico, os episódios não duram muito e, depois deles, a situação volta ao normal como se nada tivesse acontecido.

Não há cura para a síndrome de borderline, mas os tratamentos psicoterápicos são eficientes. Em alguns casos, também é necessária a administração de medicamento para as comorbidades que podem advir do transtorno, como bipolaridade e depressão.

Outro alerta feito pelo médico Bruno Reis: não há idade certa para surgirem os primeiros sintomas, e mesmo os adolescentes podem já demonstrar algumas evidências. Embora haja uma predominância entre as mulheres, a diferença não é representativa. O ideal, sempre, é procurar ajuda médica e psicológica.

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