EDIÇÃO DIGITAL

Terça-feira

7 de Julho de 2020

Sem tempo pra parar com a obra, meu irmão!

Marcelo Ariel segue com produção forte

A pandemia fez muitos escritores adiarem os seus lançamentos. O cubatense Marcelo Ariel, no entanto, não segurou sua obra literária. Nascer é um Incêndio ao Contrário acabou de sair pela Kotter Editorial. E a produção dele não vai parar por aí.

“Estou trabalhando em um livro de contos e tenho escrito um diário da quarentena que deve se converter num livro chamado Subir Pelo Inferno, Descer Pelo Céu. Só conseguiremos atravessar essa maravilhosa zona de indeterminação através de nossas potencialidades criativas, que implicam em criar o vazio para que seja possível criar outras instâncias de realidade”, comenta o autor.

Nascer é um Incêndio ao Contrário reúne ensaios, micro-ensaios, crônicas e poemas que tentam traçar um panorama do mundo e do Brasil nos últimos 20 anos.

Por sua vez, Subir Pelo Inferno, Descer Pelo Céu está sendo escrito no Instagram do poeta. Quem acompanha o autor na rede social certamente já se deparou com algumas prévias da futura obra.

“Precisamos despertar três forças chamadas escuta, amizade e silêncio. E as redes sociais precisam ser uma evocação destas forças, não um campo narcísico. Há uma diferença entre solidão e confinamento. A solidão é a paisagem onde estão as fontes destas forças. A consciência do cuidado de si é inútil sem o cuidar do outro de si. Tudo está conectado a tudo, todos estão ligados entre si. Esta é a principal lição do vírus”.

Sem adiar

Para Ariel, lançar uma obra em meio à pandemia não adia o presencial, apenas o intensifica. Pensando nisso, ele fará um lançamento virtual no dia 9, no Instagram da Kotter Editorial.

“Estamos em uma zona de indeterminação que é intensiva. Há uma nostalgia de um mundo e de práticas que já não fazem sentido diante de tantos mortos e da morte de um país que sofre com um governo viral, governos virais. A grande peste é a da estupidez e a da recusa em pensar”.

Segundo o autor, a pandemia tem ensinado muito às pessoas. “Estamos vivendo um ensaio de extinção da humanidade como espécie, obviamente não seremos extintos e a ideia do mundo como uma grande comunidade se tornou imprescindível”. 

Ariel vai além. Acredita que é hora da “humanidade deixar de ser uma ficção”. “Como poeta tenho tentado encontrar sentidos ocultos dentro dos fatos. Heráclito dizia que a harmonia ama se esconder. Acho que a poesia e a filosofia são absolutamente necessárias nesse momento. Nada será resolvido com certezas e verdades fabricadas pela intolerância ou a ansiedade. Todos nós nos transformamos em uma pergunta feita pela convivência com a morte em uma esfera íntima de modo direto ou indireto. Para onde vamos?”

Semanalmente, sempre às terças, A Tribuna tem destacado a produção literária dos seus principais autores. Anteriormente, Manoel Herzog, Alessandro Atanes, Ademir Demarchi, Flávio Viegas Amoreira, Maria Valéria Rezende e Regina Alonso também participaram.

Tudo sobre: