Reynaldo Gianecchini comenta sobre reprise de novela: 'Parece que eu vivi dez anos em um'

Na entrevista a seguir, o ator de 47 anos relembra os momentos mais especiais dos bastidores de 'Laços de Família'

Reynaldo Gianecchini tem uma longa carreira artística. Mesmo assim, confessa que não se esquece das dificuldades que enfrentou ao estrear na televisão na posição de protagonista em Laços de Família. Exibida originalmente entre 2000 e 2001, a novela voltou ao ar no Vale a Pena Ver de Novo, na Globo. Na história, ele vive o jovem médico Edu, que se apaixona por Helena (Vera Fischer), mas acaba se casando com a filha dela: Camila (Carolina Dieckmann).

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Na entrevista a seguir, o ator de 47 anos relembra os momentos mais especiais dos bastidores do folhetim; diz o quanto se sente grato a Marieta Severo pela parceria e conta o que faz Laços de Família ser um clássico para ele. Além disso, Gianecchini fala como a estreia na televisão transformou sua vida e se mudaria ou não o final de Edu na trama de Manoel Carlos.

Qual é a lembrança mais especial quando pensa na época das gravações de Laços de Família?

Eu tenho sensações perfeitas dos bastidores. Por exemplo: me lembro da primeira vez que encontrei com a Marieta (Severo) e falei o quanto era um prazer trabalhar com ela. Também me recordo de quando fiz o teste com a Vera (Fischer) e a Carolina (Dieckmann); e de estar com a Ju (Juliana Paes), sentado numa escada, com o rabinho entre as pernas, porque me sentia pequenininho diante daquela movimentação toda de cena. Era um misto de muito prazer de estar lá e um sufoco também, porque era difícil para mim. Não tinha experiência nenhuma.

Que outras sensações você tinha nos bastidores?

Eu me lembro, nitidamente, da minha sensação naquele núcleo. Olhava para a Marieta e o Alexandre (Borges) e pensava que eles faziam com os pés nas costas. O Danilo era um personagem muito leve, divertido e ele aproveitava todas as cenas, assim como a Marieta Enquanto eles tinham cem por cento de aproveitamento, eu estava ralando para não fazer feio.

Dá para notar o quanto você se sente grato a Marieta...

Eu já pedi perdão a Marieta pelo tanto de trabalho que dei para ela. Estava nervoso pelo peso da responsabilidade que era o tamanho do personagem e pela carga horária de trabalho. Era um turbilhão. Quem sofria com isso era a Marieta, porque tínhamos muitas cenas juntos. Quando a gente foi fazer Verdades Secretas (2015), falei que esperava me redimir um pouco. Ela foi fundamental para eu entender tanta coisa! Senti-me acolhido. É uma atriz divertida no set, querida com todo mundo, gosta da troca. Ela não se coloca no lugar que merece estar por ser uma atriz sensacional. Sempre vinha espontaneamente conversar, ajudar e me deixava seguro.

O que faz Laços de Família ser um clássico?

Todos os personagens eram bons, tinha um elenco bem escalado, temas maravilhosos, e existiam várias discussões. O jeito como o Manoel Carlos escrevia passava as cenas para as pessoas como se elas estivessem olhando pelo buraco da fechadura, dava intimidade. Além disso, uma trilha sonora ótima e era o Rio de Janeiro quase dos sonhos. Eu acho que tudo isso marca uma época e faz ser um clássico.

Depois de 20 anos, o que esse folhetim significa na sua vida?

É um ponto de virada na minha vida, descobri uma profissão. Tinha estreado no teatro e sabia que queria me aprofundar, mas essa novela me deu a chance de dar continuidade ao meu estudo. Poderia ter sido escorraçado, mas tive a chance de continuar, me abriu muitas portas e marca um amadurecimento pessoal. Parece que eu vivi dez anos em um.

Se fosse possível, você mudaria o final do Edu na novela?

Fiquei durante um tempo pensando no final do Edu... Até uma parte da novela, me questionei se ele voltaria com a Helena. Existia uma turma que torcia pelo casal, então foi difícil a transição para o personagem ficar com a Camila. Como ator, pensava que seria uma virada gostosa se lá na frente ele retomasse esse romance. Mas aí ia ser uma loucura, uma promiscuidade. Não iria dar certo. Achei que foi o melhor final, porque não tinha como fazê-lo voltar com a Helena.

Por estar começando a carreira naquela época, você sofreu algum tipo de preconceito nos bastidores?

Muito importante salientar que, com o elenco e a produção, nunca senti nada de ruim e fui abraçado por todo mundo. Na imprensa rolavam várias histórias que me machucaram. As críticas podem ser algo que você não queira ouvir, mas te ajudam a crescer. No entanto, tinham pessoas querendo me ridicularizar. Isso era difícil, mas hoje em dia lidaria bem. Quando a gente é jovem dá muito peso às coisas que não deveria. Todo mundo dá a sua opinião e esquece que tem um ser humano ali. (Estadão Conteúdo)

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