Para Lázaro Ramos, fazer 'Amor e Sorte' foi um sopro de vida

Ator fala dos desafios para gravar a série de casa, com Taís Araújo

Lázaro Ramos é protagonista, ao lado da esposa, Taís Araujo, de um dos quatro episódios independentes da série Amor e Sorte, que estreia amanhã, na Globo. Criado por Jorge Furtado, o projeto tem o intuito de falar sobre relacionamentos em tempos de isolamento social e reúne diferentes roteiristas. 

Na trama escrita por Alexandre Machado, o casal interpreta os personagens Cadu e Tabata, que reagem a um panelaço e acabam transformando uma crise política em um problema matrimonial. 

“Nós somos muito contaminados pelos projetos que fazemos. Sempre fui admirador dos textos do Alexandre (Machado), como Os Normais (2001 a 2003) e Separação?! (2010), e o desse episódio é inteligente porque fala da crise, mas tem um jeito de encarar a vida que tem o olhar especial dele. Foi um dos trabalhos mais prazerosos nesse tempo que tenho na Globo”, afirma Lázaro. 

Para a série ser viável, Lázaro e Taís receberam todo o equipamento de filmagem, luz e som, além de material para cenário e figurino na casa deles. Então, o casal ficou responsável por montar tudo com o auxílio virtual da equipe técnica.

De acordo com o ator, que também dirige o episódio, foi desafiador usar os recursos possíveis para a filmagem, sem contar só com o apoio do celular e da tela do computador. 

“A gente trouxe algo da proposta da Patrícia (Pedrosa, diretora artística), que foi o processo de trabalho passar pelo tempo de dividir as coisas. Ensaiamos a leitura de texto, tivemos a decupagem de cena, essa organização foi importante. A equipe queria tanto que isso desse certo que tivemos um empenho até maior do que se estivéssemos todos juntos”. 

O prazer de trabalhar com o que ama nesse período de caos, por conta da pandemia do novo coronavírus, deu um respiro a Lázaro. Antes disso, o ator conta que estava se sentindo angustiado no isolamento social. 

No entanto, nem tudo foram flores durante o processo de gravação do episódio. O intérprete relembra o espanto que teve quando viu as caixas com o equipamento chegarem. 

“Nós estávamos pensando só em problemas, em angústia e, de repente, tivemos um sopro de vida realizando o que mais amamos. Na época do teste de filmagem eram seis caixas, mas, quando a gravação ia começar, chegaram 12 de equipamentos e 13 de cenário e figurino, lembrando que a casa tem três andares. No último dia, eu já estava negociando onde é que ia ficar o equipamento necessário para cada cena que ia fazer”, declara. 

Rotina no confinamento

Por causa da pandemia, não só o trabalho de Lázaro foi afetado como também a rotina familiar. O ator precisou se adaptar ao novo dia a dia e decidiu não se descabelar com essas alterações. Além disso, ele conta que nunca conheceu tanto as forças e fragilidades de seus filhos João Vicente, de 9 anos, e Maria Antônia, 5. 

“Na primeira semana da quarentena, eu achava que dava pra dar conta de tudo, ter a fala perfeita para quando as crianças traziam uma angústia. Hoje estou consciente de que tenho que educar meus filhos para uma nova cultura. Falo para eles e também pra mim que o costume de usar a máscara ficará, assim como os demais hábitos de higiene”.

O período de isolamento social proporcionou a Lázaro, ainda, passar mais tempo ao lado da esposa. Mesmo com as diferenças entre eles, o ator diz que o casal preferiu focar nas qualidades um do outro. Segundo o artista, um dos segredos da união é saber ouvir o parceiro.

“O conselho é: saiba calar. Tem uma hora que você não tem que falar nada, só escutar. Pandemia não é momento para discutir relação. Quem passar a pandemia e continuar casado, não separa nunca mais”, acredita. 

Luisa Arraes destaca aprendizados para gravar o episódio

Atuar é o principal ofício de Luisa Arraes, mas, na série Amor e Sorte, ela também encarou diversas funções como a de roteirista, ao lado de Caio Blat e Jorge Furtado. Na produção da Globo, sua personagem é a atriz Teresa. A jovem passa um final de semana romântico com o aspirante a cineasta Manoel (Caio Blat), que, na verdade, é engenheiro químico. 

Porém, na hora de ele ir embora, os dois recebem a notícia de que um vírus se espalhou pelo mundo e o casal recém-formado precisa passar pelo período de isolamento junto. 

“O que colou tão rápido entre a gente foi essa paixão pelo amador. O Jorge (Furtado) era quem mais encorajava, nos falava para fazermos tudo sozinhos. Esse amor pela experiência nova motivou também a começar esse caminho que não sabíamos onde ia dar", conta Luisa. 

Embora a história do episódio A Beleza Salvará o Mundo seja ficção, a trama tem um pé na realidade. Luisa revela que um amigo lhe contou sobre não poder voltar para casa porque morava com a mãe, pertencente ao grupo de risco do novo coronavírus. Então,  eles aproveitaram para incluir isso no roteiro como o motivo de Manoel permanecer no apartamento de Teresa. Segundo a atriz, foi inusitado gravar a série dentro do lar. “Eu estava preocupada em mostrar a casa, porque não exponho nada da minha vida. Depois falei que tudo bem, porque a gente ia enquadrar de um jeito que não aparecesse muito... Mas aí, 30 minutos depois, o Caio me viu mostrando tudo e perguntou: 'Acha mesmo Luisa que você está com privacidade?'. A casa virou o local de trabalho”, comenta. 

Namorados na vida real, Luisa e Caio estão passando o período de quarentena juntos, o que facilitou a gravação do episódio.

Mesmo que o casal já tenha trabalhado na peça Grande Sertão: Veredas, adaptação do clássico de Guimarães Rosa e também vá recriar a história no cinema (com roteiro de Jorge Furtado e direção de Guel Arraes), a atriz relata que a experiência na série foi diferente. Afinal, trocaram opiniões diariamente sobre cada detalhe. 

Além de escreverem o texto, os dois se filmavam e se dirigiam, com o auxílio virtual da diretora artística Patrícia Pedrosa, e da equipe especializada. 

“Teve um dia que começou uma obra num vizinho e não tinha ninguém para correr lá, então eu que tive que ir pedir por alguns minutos de silêncio para a gente poder gravar. Esses profissionais da equipe têm um trabalho importante para que a gravação não pare. Cada dia era uma aula sobre uma função diferente. Parecia uma residência como os médicos fazem”, compara.

Declaração de amor

De acordo com Luisa, o episódio protagonizado por ela e Caio é uma declaração de amor ao cinema. Na trama, Teresa e Manoel resolvem gravar um filme durante a quarentena e recriam cenas de clássicos da sétima arte como Cantando na Chuva (1952), E.T.: O Extraterrestre (1982), Titanic (1997), Cidade de Deus (2002) e Psicose (1960). 

“Nunca ninguém falava que não dava pra fazer. A equipe sempre vinha com a solução para reproduzirmos a cena. Sozinhos, eu e Caio filmávamos e mandávamos os vídeos que ficavam bons. Fizemos uma brincadeira com os gêneros do cinema. Tinha de ser um filme que rapidamente poderia ser reconhecido”, ressalta ela. 

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