Paixão pela Espanha está em trilogia de livros de autor santista

Osmar Gomes da Silva manteve ligação entre as três obras através dos personagens

Há 20 anos, o dentista santista Osmar Gomes da Silva, de 80 anos, encerrou a carreira no consultório e passou a se dedicar a uma nova paixão. A literatura já rendeu três projetos, sendo Bilbao, Bilbo, Bilbao, o mais recente deles. Rumo ao Paraíso e Outras Histórias e Manuscrito de Sócrates foram os dois primeiros da trilogia.

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O autor conta que as três obras possuem “uma ligação mística inflexível”. “Os personagens que compõem esses contos e crônicas, com uma força mágica inexplicável e reveladora, são protagonistas de uma saga, onde buscam uma verdade histórica e, ao mesmo tempo, utópica: uma sociedade solidária e fraterna”, explica Osmar.

A ligação entre as obras vem dos personagens. Em Rumo ao Paraíso e Outras Histórias, o escritor apresentou em um dos contos o metalúrgico Espanhol, um imigrante basco que tem certeza de encontrar a felicidade no El Dorado.

Posteriormente, em Manuscrito de Sócrates, Silva trouxe Fu, o protagonista em incríveis aventuras, repletas de mistério, amores e perigos na caliente Andaluzia, cantada em verso e prosa pelo genial Jorge Luis Borges. Porém, é no Casco Viejo, de Bilbao, que ele, supostamente, encontra a Verdade.

“Bilbao, Bilbo, Bilbao é fundamental para o leitor, por reunir aqueles personagens contraditórios e revolucionários. Ao mesmo tempo em que revela a história de Diego Etxarri, codinome Frei Diego e do quixotesco Sudaca. Diria até que encerra, de forma cômica e trágica, essa trilogia de contos e crônicas”.

O santista conta que sua ligação com a Espanha vem de outras gerações. “Minha bisavó veio de Madri para Santos com a minha avó na barriga. Deve ter sido essa linha que me levou para a Galícia”, acredita ele.

Depois, o autor afirma que sua esposa o acompanhou duas vezes em viagens para Bilbao. “O escritor é louco, atrevido, cheio de pensamentos. Você tem tanta coisa na cabeça que precisa vomitar em forma de livros, precisa transformar em alguma coisa concreta”.
Ex-preso político, na época da ditadura, Silva acredita que todo escritor precisa de uma depressão para colocar tudo na escrita.

“É uma introspecção. Você perder uma esposa (divórcio), a filha que foi para São João da Boa Vista, tudo isso mexe. A minha separação veio logo após a prisão e soltura. Passei entre três e quatro meses no Doi-Codi, em São Paulo, por ser militante do PCB. Era uma caça às bruxas”, afirmou o autor.

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