País reduz em 4% número de leitores

Segundo pesquisa do Instituto Pró-Livro e Itaú Cultural, em quatro anos o Brasil perdeu cerca de 4,6 milhões de amantes de livros

De 2015 para 2019, o número de leitores de livros no Brasil diminuiu cerca de 4,6 milhões, ou seja, agora, somos 52% de leitores (ou 100,1 milhões de pessoas), contra 56% em 2015, o que perfaz uma redução de 4%.

A constatação é resultado da nova edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) e o Itaú Cultural, lançada ontem. A boa notícia ficou para o público infantil, que registrou aumento no gosto pela leitura.

Além da crise econômica neste período, o tempo gasto em redes sociais pode ser um dos motivos que tem afastado as pessoas do hábito de ler livros. Entre os pesquisados, 82% afirmam que gostariam de ter lido mais e 47% deles dizem que não o fez por falta de tempo. 

Internet

Mas em seu tempo livre, o estudo revela o aumento significativo na proporção de brasileiros que disseram usar a internet (de 47% em 2015 para 66% em 2019) e o WhatsApp (de 43% para 62%), enquanto usar o tempo livre para ler livros manteve o mesmo percentual entre as duas edições da pesquisa: 24%. 

Embora assistir TV continue a ser uma das atividades preferidas do brasileiro, houve uma redução neste quesito também, passando de 73% em 2015 para 67% em 2019. 

Outro fator que afasta o público dos livros é o analfabetismo funcional. “Três em cada dez brasileiros não compreendem o que leem. Eles são excluídos de nossas bases de leitores se não houver uma política para mudar isso”, afirma a coordenadora da pesquisa, Zoara Failla, do IPL. 

Crescimento entre crianças 

Um dado que chamou a atenção dos técnicos foi a ampliação do número de leitores entre os estudantes que frequentam o Ensino Fundamental 1, que tem entre 5 e 10 anos de idade. 

Zoara explica que nessa faixa etária pais que presenteiam os filhos com livros, que são leitores e que leem para os pequenos, foram as principais influências para esse crescimento de leitores. O professor se destaca quando o critério é a indicação de livros de literatura. 

O que estão lendo 

Segundo o levantamento, a exemplo de anos anteriores, a Bíblia continua sendo o livro mais lido no País, quando se pergunta pelo gênero que mais costumam consumir, sendo mencionados, na sequência, os livros de contos, romances e livros religiosos. Apesar disso, a menção à Bíblia apresentou um decréscimo em comparação a 2015 – de 42% para 35% em 2019.

Já entre os escritores, o favorito é Machado de Assis, seguido de Monteiro Lobato e Augusto Cury. Entre os estrangeiros, destacam-se a autora da série Harry Potter, J. K. Rowling, e Agatha Christie. 

O formato tradicional de leitura, o livro físico, ainda domina o gosto dos leitores com 67% dos pesquisados utilizando as páginas impressas para ter acesso às histórias. Apenas 17% declaram preferir o livro digital. Daqueles que leram no formato digital, 76% o fizeram no celular. Na pesquisa anterior, de 2015, essa porcentagem era de 56%. O aumento se deve justamente ao crescimento na utilização dos smartphones. 

A pesquisa 

Realizada desde 2017, a cada quatro anos, a pesquisa Retratos da Leitura tem como objetivo conhecer o comportamento do leitor brasileiro, a partir dos 5 anos de idade, medindo a intensidade, forma, limitações, motivação, condições de acesso ao livro pela população, orientado para contribuir com as políticas públicas e expandir o público leitor. 

Pelo padrão adotado, é considerado leitor a pessoa que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos três meses anteriores à entrevista e não leitor quem não leu nenhum livro nos 12 meses anteriores à entrevista.

 


Dados da pesquisa foram divulgados durante live realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) e o Itaú Cultural

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