'Meninas' também fazem HQs

Livro destacará trabalhos de 100 delas

“Há muitas camadas que compõem uma heroína. O que ela é, o que ela quer ser, o que ela pode ser, no que ela acredita”, reflete Caru Moutsopoulos, em sua história ilustrada pela cartunista Andrea Barcelos.

Este é um dos quadrinhos feitos especialmente para o livro 'Mulheres & Quadrinhos', da editora Skript, organizado pela santista Daniela Marino, de 42 anos, e a baiana Laluña Machado, de 29, ambas pesquisadoras de quadrinhos.

A frase de Caru representa as mais de 100 quadrinistas, editoras, coloristas, tradutoras, roteiristas, letristas, pesquisadoras e jornalistas presentes no livro. Para Caru e Andrea “uma heroína não nasce, se constrói” e é em 'Mulheres & Quadrinhos' que todas essas personalidades se juntam para mostrar que mulheres também podem amar, ler, estudar e fazer HQs.

O livro está previsto para ser lançado em outubro, com pré-venda na Amazon em agosto. Em novembro, farão também um lançamento da obra no Festival Geek.

“Esse livro deveria ter surgido há muito tempo. Tem muitas mulheres quadrinistas no Brasil, mas há ainda uma ideia recorrente de que elas não fazem quadrinhos”, declara Daniela. “Essa ideia existe até entre especialistas de quadrinhos. Dizem que as mulheres deveriam falar sobre temas mais universais e ignoram as pesquisas”.

Existem muitos dados que comprovam que elas leem tanto quanto eles. Um exemplo presente no livro é da diretora da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial, a pesquisadora Natania Nogueira. Ela defende, em um de seus estudos, que grande parte dos leitores dessa arte são mulheres. Ainda explica que, por volta de 1980 e 1990, elas deixaram de consumir as HQs mais conhecidas, como de super-heróis, devido à violência desnecessária contra mulheres retratada nas histórias. Além de não serem bem recebidas nos ambientes para esse público.

Pensando nessas questões, a obra foi uma ideia da editora Skript que chamou Daniela e Laluña para organizarem o livro. A editora é de Florianópolis (SC) e faz campanhas para alavancar quadrinhos no site Catarse, que funciona como uma vaquinha online. Com 'Mulheres & Quadrinhos' não foi diferente. Logo nas duas primeiras semanas o projeto alcançou a meta de R$ 21.800. A arrecadação continuou até a última segunda (15), com total de R$ 32.853.

Representatividade

Segundo Daniela, o alto valor é devido à grande produção. Serão cerca de 500 páginas com quadrinhos, ilustrações,textos e depoimentos de mais de 100 mulheres da área. Porém, conforme Daniela, esse número não representa nem uma parte das mulheres que fazem quadrinho no Brasil.“Como a gente chamou artistas de diversos lugares do País,temos uma diversidade tanto regional, como de temas e de gêneros. Temos lésbicas, trans, negras, japonesas... Existe essa diversidade que não costumamos encontrar em produções desse gênero”.

Um dos principais objetivos do livro é enaltecer o trabalho das centenas de artistas. “Há quem está começando, nunca publicou nada físico, e tem também as que já são consolidadas no mercado”.

Entre os grandes nomes, estão Carol Pimentel, editora da Marvel no Brasil, Beth Kodama, editora da Mythos, Planet Manga e Panini. Além de Marina Sousa, filha do Mauricio de Sousa e Lu Cafaggi, autora da graphic novel Laços, da Turma da Mônica, que está nos cinemas agora.

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