Jornalista de Santos lança a obra 'A Mulher Jornalista no Cinema'

A valentia e o protagonismo jornalístico nem sempre aparecem nas películas quando a função de jornalista é desempenhada por uma mulher, explica Beatriz dos Santos Viana

O Jornalismo sempre foi uma profissão que o cinema retratou com certo heroísmo. Quem não se lembra de Clark Kent se transformando no Super Homem no meio do expediente da redação do Planeta Diário? Ou, em Todos os Homens do Presidente, baseado em fatos reais, onde a dupla de jornalistas do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein (interpretados por Robert Redford e Dustin Hoffman) investiga um escândalo que leva à renúncia do presidente americano Richard Nixon?

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Mas a valentia e o protagonismo jornalístico nem sempre aparecem nas películas quando a função de jornalista é desempenhada por uma mulher. É para discutir esse universo que a jornalista e pesquisadora em Comunicação, Gênero e Cultura da Baixada Santista, Beatriz dos Santos Viana, lança o livro A Mulher Jornalista no Cinema (Editora Appris).

Nesta que é uma das primeiras bibliografias sobre o tema, a autora analisa estereótipos de gênero em filmes norte-americanos com protagonistas jornalistas e padrões utilizados em Hollywood, nos últimos 50 anos, para a representação da mulher jornalista nos cinemas e seu peso no imaginário popular sobre a profissão.

A ideia surgiu de uma pesquisa que Beatriz fez para a publicação de um artigo científico sobre o tema, em 2018. “Existe uma disparidade muito grande entre homens e mulheres no cinema. Enquanto o homem jornalista é visto como aventureiro, o herói que vai salvar o dia, a mulher é, na maioria das vezes, aquela que se perde, é atrapalhada e com ações não assertivas”, explica a autora, que complementa: “Os filmes com mulheres jornalistas como protagonistas são cômicos ou comédias românticas, num universo mais submisso, sem compromisso com o heroísmo. São sempre mulheres que precisam de alguém para resolver alguma situação.”

A autora explica que isso é fruto justamente de um olhar condicionado da indústria cinematográfica para o universo masculino, uma vez que mulheres têm menos oportunidade de atuação na criação, direção e produção das obras.Ela destaca, pela notoriedade e por ter alcançado grande popularidade, o filme O Diabo Veste Prada, onde Meryl Streep interpreta a influente editora de uma revista de moda, Miranda Priestly. “Mostra que ela conseguiu fazer o que queria e alcançou o sucesso lutando pelo que queria, apesar de ter a tendência de masculinização da líder feminina, o que acontece por ter esse olhar condicionado de uma produção feita por homens”, avalia Beatriz.

O livro está em pré-venda nas principais lojas virtuais e deve estar disponível até o final do mês. Além da análise de 90 filmes, a autora traz um contexto histórico das mulheres no cinema, do Jornalismo e do feminismo.

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