Festivais literários se adaptam e mesclam o ao vivo com virtual

São os casos da Tarrafa Literária, da Flipoços e da Flip 2020

Os principais eventos do mercado literário brasileiro ainda tentam se adaptar às restrições impostas pela pandemia. Ao contrário da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que cancelou seu evento em 2020, retornando com a nova edição apenas em 2022, algumas feiras de literatura mudaram suas datas e preparam uma programação voltada para a internet. 

A 12ª edição do Festival Tarrafa Literária, de Santos, por exemplo, deve acontecer no final de novembro, entre os dias 25 e 29, e ter apresentações de audiovisual pela web. “Estávamos ensaiando isso há alguns anos. Agora, o festival foi adaptado pela força da pandemia”, explica o livreiro e idealizador do evento, José Luiz Tahan. 

As mesas terão formato de talkshow transmitido ao público pela internet e todos os convidados virão a Santos para participar do papo ao vivo. Por conta da covid-19, este ano a Tarrafa não terá autores vindos de outros países. 

Mesmo com essa linha estabelecida, Tahan ainda estuda outras possibilidades. "Perto de dezembro, imaginamos uma situação mais segura para todos, mas não sabemos se vai poder ter uma ocupação parcial do teatro. Tenho ideias, que estou discutindo com o secretário de Cultura de Santos, Rafael Leal, de levar o festival, este ano apenas, para um local, quem sabe ao ar livre, que pode ser um pouco mais interessante´ do que um lugar fechado”, avalia o editor.

A programação está desenhada, mas Tahan deve divulgar os nomes confirmados mais para frente. Ele ratifica apenas que a autora homenageada desta edição será a escritora santista Maria Valéria Rezende, radicada há alguns anos em João Pessoa, na Paraíba. “Acreditamos que ano que vem a gente volte para o normal, mas agregando a experiência deste ano com o audiovisual pela web. Isso veio para ficar”, acredita Tahan.

Pelo Brasil

O Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), em Minas Gerais, que foi remarcado para novembro, já aposta na realização virtual de toda a sua programação.

“Já tínhamos remarcado uma segunda data para que acontecesse presencialmente, mas como não teremos mesmo condição, optamos por essa experiência nova”, conta a curadora da Flipoços, Gisele Ferreira.

O festival, que traz como tema central Mulher e Literatura: da poesia ao poder, tem também uma mesa que discutirá o centenário de Clarice Lispector. Entre as convidadas confirmadas estão Miriam Leitão, Eliane Catenhede e Ana Maria Machado, que a patronesse desta edição.

“Ser virtual também nos possibilitou trazer uma grande autora como Marta Medeiros, que é super reclusa, mas que virtualmente poderá estar conosco”, diz Gisele. Além do festival, com mesas de debate, oficinas e workshops, o evento terá ainda uma feira de livros o-line, onde o público poderá visitar os estandes com os lançamentos e ser direcionado para o e-commerce das editoras.

Todo o evento será gratuito ao público, que se cadastrará na plataforma e poderá assistir todas as apresentações ao vivo e as que foram gravadas também.

Flip

Centenário do nascimento de Clarice Lispector em foco na Flipoços (Foto: Reprodução)

 

 

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) também está marcada para ocorrer entre novembro e dezembro. Na semana passada, o diretor artístico do evento, Mauro Munhoz, afirmou durante uma live promovida pelo Itaú Cultural que estuda um formato híbrido para o festival.

“A posição atual é que não poderá ter eventos de aglomeração, pelo menos, até dezembro. Agora, nós vamos fazer ações físicas que sejam permitidas, não só nos dias em que a Flip Virtual vai estar no ar. Na medida dessa convocação que foi feita para a Flip de ser um espaço de pensamento de como posicionar a cultura, de como posicionar a literatura, mas também de como reinventar a questão econômica de Paraty”, disse ele durante o evento.

Tudo sobre: