Escritor vicentino fica entre os dez finalistas do Prêmio Jabuti

Conto de Uilians Uilson Santos integra coletânea selecionada na edição 2020

O escritor e jornalista Uilians Uilson Santos, morador da Área Continental de São Vicente e nascido em Cubatão, se destacou entre os melhores da edição 2020 do Prêmio Jabuti. Ele foi um dos escritores brasileiros selecionados para fazer parte do 42º volume do livro Cadernos Negros, publicação que ficou entre os dez finalistas de uma das principais premiações nacionais de literatura.

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O conto que participa da coletânea é Celso, que traz como personagem central um homem negro, inspirado em uma vivência pessoal de Santos.

“Eu mandei a história para eles, no ano passado, e fui selecionado. É uma história sobre um familiar que tive, um tio, que tem outro nome no texto, a primeira pessoa que vi morta e que trago na lembrança que foi como um irmão mais velho, que foi importante na minha formação”, relata o autor. 

O conto faz parte ainda do segundo livro do escritor, Humaitá 933, cujo título foi baseado no livro 2666, do escritor chileno Roberto Bolaños, e que deve ser lançado em breve. Boa parte das histórias vem da vivência do autor e daquilo que ele vê no seu entorno. 

“No ano passado, teve toda aquela questão com a Ponte dos Barreiros, por exemplo. Então, há textos que mostram o drama e o que os moradores daqui viveram na pele”, destaca. 

A curadoria das crônicas é do escritor Flavio Viegas Amoreira. Foi com ele que o autor de São Vicente fez uma oficina de textos, no Sesc Santos, onde era preciso escrever algo relacionado à família, que foi o ponto de partida para o livro atual.

A primeira publicação de Santos, Certas Coisas, foi lançada em 2016 e também trazia 13 pequenas histórias inspiradas no cotidiano do autor, na Área Continental da cidade.

Negro na literatura

Mesmo não passando para a final do prêmio, que nesta semana divulgou os cinco finalistas para cada uma das 20 categorias, Santos acredita que Cadernos Negros, série publicada anualmente desde 1978, merece destaque e reconhecimento. 

“Se tivesse uma categoria pelo conjunto da obra, o Cadernos Negros deveria ganhar. Se antes existia a falácia racista de que não existiam autores negros no Brasil, a publicação acabou com isso, mostrando, a cada ano, que há uma literatura negra e presente no País. Não acho que é ser melhor que os outros. Mas é importante e fundamental estar presente”, avalia o escritor. 

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