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Segunda-feira

3 de Agosto de 2020

Escritor santista mantém a literatura e o serviço militar a todo vapor

Davidson Abreu tem um romance e uma ficção em andamento

O escritor e policial militar Davidson Abreu não parou a produção em meio à pandemia. A única atividade reduzida foi a social. Prova disso é que mantém a literatura e o serviço militar a todo vapor. O santista lançaria duas obras na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, mas o evento foi cancelado. No entanto, as editoras Madras e Faro Editorial mantiveram os lançamentos para até o fim do ano.

A primeira obra é o romance Suástica (Madras). A outra, ainda sem nome definido, é mais técnica, envolvendo a experiência como policial militar.

Em Suástica, Abreu narra a história de uma família que herda um pequeno vinhedo no Rio Grande do Sul. Eles acabam descobrindo que o antigo proprietário era um médico nazista fugitivo que atuava em Auschwitz. No Brasil, ele continuou com suas experiências, que também envolviam cultos pagãos. 
“Tem forte conteúdo histórico e alerta que ideologias assassinas estão apenas adormecidas e nossa liberdade não é tão segura como imaginamos, devemos estar sempre alerta e defendê-la”, comenta.
Pela Faro Editorial, o livro é centrado em um programa de policiamento. De acordo com o autor, envolve a realidade, questão das penitenciárias, crime organizado, leis, excessos de benefícios, atuação da mídia e sistema de polícia em comparação a outros países.

“Não posso ainda divulgar mais detalhes. Creio que terá um alcance enorme. É um trabalho que envolveu muita pesquisa e atinge a todos. Enquanto segurança for entendido como um problema apenas da polícia, continuaremos enxugando gelo”.

Segundo Abreu, os livros com conteúdo técnico trazem quase 100% da experiência dele na área policial e na formação jurídica. Na ficção, ele dá preferência à fantasia de terror. “Aguça a curiosidade do leitor, pois entendem distante da minha carreira policial”. 

“Costumo dizer em tom de brincadeira: quem mais entende de terror do que um policial brasileiro? Estou trabalhando pela primeira vez em uma ficção policial. Ainda leva um tempo pra finalizar, contudo, é uma experiência desgastante, devido a tudo que a gente vive nessa área. Apesar de ser ficção, está estreitamente ligada à realidade”.

Mesmo na ficção de terror, Davidson conta que sempre trabalha com uma base histórica. “Acredito que a história é tão ou mais fascinante do que a ficção. Também costumo incluir um contexto de fé, referente à natureza humana, algo que impulsiona o homem fazendo-o ir adiante, mesmo que essa fé se resuma a ele mesmo. Mas, em alguns momentos, chego à conclusão do dramaturgo romano Plauto, de que o homem é o lobo do homem, mais perigoso que o sobrenatural”.

O capitão da Polícia Militar, que já lançou quatro obras e um conto no The Ghost Club Journal, acredita que as pessoas podem aprender muito com a pandemia. “Que a humanidade evoluiu muito, pois no passado as pandemias causaram mais mortes e sofrimento, muitas vezes mostrando o pior da humanidade, como durante a peste negra na Idade Média, que em algumas regiões da Europa, colocaram a culpa nos judeus, e milhares foram assassinados”. 

Abreu considera que aprendemos que somos frágeis e devemos nos unir, além de amar ao próximo, cuidar melhor dos idosos. “A natureza precisa de férias do homem. Há muita gente caridosa, contudo, ainda há aqueles que se aproveitam de uma situação dessas para obterem lucro ou serem protagonistas para se manterem no poder e os piores ainda enxergam a possibilidade desse lucro vir de ações criminosas, advindas da corrupção”.

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