EDIÇÃO DIGITAL

Sexta-feira

5 de Junho de 2020

Banda Nada Surf mostra toda a sua força

Após quatro anos de hiato, banda lança turnê Never Not Together

Surgida no início dos anos 1990, em Nova York, a Nada Surf pode até ser vista como uma banda one hit wonder (famosa por um single), mas sua trajetória vai muito mais além. Desde que Popular, canção do disco de estreia, High/Low (1996), ganhou destaque nas rádios e na MTV, a banda seguiu em frente. A cada disco que lança, o resultado é ainda melhor.

Recentemente, os músicos deram mais uma amostrada força de suas canções com Never Not Together, o nono trabalho de estúdio. Matthew Caws, Daniel Lorca e Ira Elliot, formação que está junta desde High/Low, evoluiu de forma impressionante.

Falando sobre a produção do álbum, o vocalista e guitarrista Matthew Caws demonstrou muita simplicidade sobre o processo de gravação.

“Começou do jeito que todos as nossas gravações começam, comigo escrevendo músicas em casa. Às vezes escrevo músicas inteiras, às vezes apenas pequenos trechos. Quando acho que tenho o suficiente para começar a atrair os caras, toco o que tenho para eles. As que terminamos, organizamos juntos. Mas também brincamos com as peças curtas e, às vezes, ouvir todos nós tocando juntos me dá uma ideia ou energia para terminar”, comentou Caws, em entrevista para A Tribuna

Desta vez, o trio se reuniu mais vezes em Cambridge, fugindo do habitat natural que é Nova York. A mudança aconteceu porque Caws está com um filho pequeno na cidade. “Foi muito legal da parte deles”.

“Nós fizemos o álbum no Rockfield Studio, no País de Gales. Nosso produtor Ian laughton já trabalhou lá antes e achou que seria perfeito para nós. Tantos ótimos discos foram feitos lá. Eles são mais famosos pelo Night at the Opera, do Queen, e What’s the Story Morning Glory?, do Oasis, mas os discos que realmente amo são os três primeiros álbuns da Echo & the Bunnymen. Foi realmente inspirador estar em algum lugar com tanta história. Isso nos manteve concentrados e animados”. As guitarras foram concluídas em Nova York, com o amigo de Caws, Tom Beaujour. Os vocais foram registrados na casa do vocalista, em Cambridge, e no estúdio de outro amigo, Dan Wilde.

A longevidade do Nada Surf traz comparações para os músicos. O vocalista afirma que ao olhar para trás vê que a banda está menos intensa em termos de energia, mas muito mais intensa quando o assunto é música.

“Existem muitos prós e contras em crescer como uma banda, em aprender a fazer o que você faz. Torna se menos puramente instintivo e mais estudado. Essas duas coisas são boas e ruins. Eu sou uma pessoa mais feliz do que era na época que começamosefinalmenteestoulivredecomplicaçõesromânticas.Elasforamumaspecto central das minhas composições por anos e me abriram para diferentes assuntos, dos quais estou muito feliz”.

Por falar em letras, Caws garante que nunca tomou uma decisão por fazer composições complexas. Ele garante que isso está mais no inconsciente.  

“Como muitos compositores, trabalho subconsciente e conscientemente. O lado emocional é mais inconsciente, mas o lado da letra, que é mais complexo, envolve assuntos que talvez não sejam normalmente encontrados no mainstream”.

Caws brinca com uma situação que passou quando trabalhou com um compositor de country, em Nashville, nos Estados Unidos. 

“Temos a sorte de pertencer a um gênero em que parece ser bom se as pessoas não o entenderem. Eu estava escrevendo uma música com um compositor country há alguns anos e, a certa altura, sugeri uma frase que envolvia uma espécie de obscura metáfora. O outro escritor me explicou que a frase não funcionaria, porque a pessoa mais bêbada da sala precisa entender você”.

Sempre atento às novidades do cenário musical, o vocalista afirma que acompanhar o trabalho de outros artistas é o que faz desde os 7 anos, quando ligou um rádio sozinho. “Minha nova banda favorita é a Bodega, de Nova York”.

Never Not Together está sendo divulgado com uma extensa turnê mundial. Depois de encerrar a primeira etapa de suas datas de turnê nos EUA, a excursão retomou no dia 25 de fevereiro, em Cambridge, no Reino Unido. A segunda etapa da turnê nos EUA começará em maio. Por enquanto não há datas programadas para o Brasil. 

“O ano ficou cheio, mas eu realmente espero que possamos ir no próximo ano. Já visitamos o Brasil duas vezes. Tocamos em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Belém, Florianópolis, Recife e Curitiba. Foi incrível! Eu amei as pessoas, a comida, o amor pela música, a atmosfera, tudo”.
Caws também fala com carinho de um artista baiano.“Não sei muito sobre a música brasileira, mas amo o que conheço. Fui ver o Caetano Veloso em Londres há alguns anos e ele foi incrível. Eu realmente amo o clássico”. 

Tudo sobre: