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Quarta-feira

11 de Dezembro de 2019

Após quatro anos, Bullet For My Valentine volta ao Brasil

Em sua melhor fase, banda britânica promete grande show domingo, na Capital

Quatro anos após a última turnê pelo Brasil, a banda britânica Bullet For My Valentine está de volta. A apresentação será domingo, no Tropical Butantã (Av. Valdemar Ferreira, 93, em São Paulo). E, se depender do entusiasmo do vocalista e guitarrista, Matthew Tuck, os fãs podem esperar por um show ainda mais pesado que o último.

“Vai ter muito barulho, muita diversão. Espero que todos possam aproveitar o momento como a gente. Já estivemos no lugar dos fãs e sempre que vemos nossa fanbase destruindo tudo nos shows, a gente volta para o passado e se emociona. Hoje, lotamos os lugares que passamos e isso é um presente enorme”, comenta Tuck, que conversou com A Tribuna por telefone.

A relação banda e fãs realmente faz muito sentido para os britânicos. Ícones do metalcore, eles já viveram uma experiência semelhante com o Metallica, uma de suas principais influências.

“Foi fenomenal. Nunca imaginei que isso aconteceria. Estava feliz em ter assistido Metallica ao vivo aos 16 anos. Achei que isso seria o mais perto que chegaria deles. Mas sete anos depois estava dividindo o palco com eles. Foi a coisa mais incrível e surreal que já aconteceu na minha vida. Cresci em uma cidadezinha pequena e atingir esse nível é algo que até hoje não acredito”, recorda sobre os shows na década passada.

Hoje, aos 39 anos, Tuck vive um momento bem especial com o Bullet For My Valentine. Muito em função do sexto disco de estúdio, Gravity, lançado em junho de 2018. Nele, a banda deixa o thrash metal e o metalcore de lado para seguir numa linha mais próxima do nu metal.

“O processo em si foi bastante comum, como eu e a banda já estávamos acostumados. Musicalmente, Gravity teve alguns elementos diferentes, mas isso tem a ver com a minha vida pessoal e alguns momentos que passei. Estava meio cansado de fazer metal. Na verdade, estava tendo problemas em fazer qualquer coisa. Por isso, acho que Gravity se tornou um álbum bastante pessoal e bem diferente dos discos do passado”.

Para o vocalista, alcançar o que almejava em Gravity gerou um processo bem difícil. “Era algo que tinha em minha cabeça, foi muito difícil para mim extrair tudo isso, mas estou contente”.

Segundo o vocalista e guitarrista, duas palavras descrevem bem o que é o último álbum: raiva e reflexão.

“Enfrentei uma depressão, tive diversas crises de ansiedade e não estava em um local muito bom mentalmente. Como disse, foi difícil encontrar foco para trabalhar nesse álbum. Então isso ficou muito refletido nas canções. É um tema difícil”.

Apesar dos momentos complicados, Tuck acredita que o Bullet For My Valentine vive a melhor fase da carreira. “Acho que, para mim, como compositor, Gravity é nosso álbum mais forte e poderoso. Todas as canções têm uma direção e uma história, o que é algo que nossos outros álbuns não tiveram. É legal ter esse tipo de narrativa e aplicar essa emoção no trabalho”.

 

Relação com o Brasil

Diferentemente de outras bandas, que conseguem aproveitar ao máximo o tempo no Brasil, Tuck, que é natural do País de Gales, afirma que nunca teve tempo hábil para conhecer os lugares desejados. 

“Sempre temos vários compromissos e não tempos tempo para fazer city tours e passear pelas cidades. As memórias que temos são dos fãs e das interações que temos com eles, que são muito apaixonados por música”. 

Entretanto, se não consegue conhecer as cidades, uma banda brasileira é bem presente na formação do músico. Tuck não poupa nos elogios.

“Gosto muito de Sepultura, é uma banda que cresci ouvindo. Sepultura foi a primeira banda de metal que vi ao vivo em um show. É até hoje um dos melhores shows ao vivo que vi na vida. Foi tudo muito especial. Aquilo mudou a minha vida. Quando vi aquilo, meu sonho era estar no lugar daqueles caras. E foi isso que me motivou a seguir essa carreira”.

 

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