A novela nossa de cada dia

Entre 1970 e 1990, a teledramaturgia ganhou força na TV brasileira

Nas sete décadas completadas na última sexta-feira, a televisão brasileira tem como principal marca e produto cultural de exportação as novelas. A teledramaturgia ganhou força a partir da implantação do videotape e quando passa a ter edição. “Se antes, as novelas eram mais melodramáticas, a partir dos anos 1970 ela passa a adquirir uma linguagem própria, atual, e começa a ser encarada como uma produção, com grandes autores nacionais”, lembra o ator e diretor santista Sérgio Mamberti. 

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Além de recordes de audiência, as novelas brasileiras ganharam fama pelo mundo, como no caso de Escrava Isaura, de 1976, que fez sucesso até na China. Brasileiros pararam para conhecer o final de algumas tramas, como as de Roque Santeiro, Dancin’ Days, Selva de Pedra e Pantanal, além de tentar descobrir quem teria matado os personagens simbólicos como Salomão Ayala (de Pai Herói, interpretado por Dionísio Azevedo) e Odete Roitman (de Beatriz Segall, em Vale Tudo). 

Entretenimento para todas as idades

A TV também foi considerada a babá eletrônica de muitas gerações com uma programação voltada para o público infantil. As histórias de Monteiro Lobato saíram da imaginação e das páginas dos livros e ganharam forma na telinha com o Sítio do Pica-Pau Amarelo, que recebeu versões na TV Tupi, entre 1952 e 1962, e na TV Globo (entre 1977 e 1986 e de 2001 a 2007). Os pequenos também tiveram os programas matinais TV Globinho, Bambalalão e Balão Mágico, que possuíam, entre as atrações, desenhos e brincadeiras. Os programas infantis também revelaram, nos anos 1980, as apresentadoras Xuxa Meneghel, Angélica, Mara Maravilha e Eliana.

Os programas de auditório, presentes até hoje na TV, também fizeram sucesso com o público. Chacrinha, Hebe Camargo, Bolinha, Barros de Alencar e Flavio Cavalcanti foram alguns dos que marcaram presença com entrevistas, shows de calouros e apresentações musicais. O formato de sucesso continua até hoje com Fausto Silva, Silvio Santos e Luciano Huck e até mais recentemente també m com Gugu Liberato.

O humor também é outro gênero que acompanha a televisão brasileira desde seu surgimento. A Família Trapo, que foi ao ar no final dos anos 1960, na TV Record, tinha no elenco nomes de peso como Jô Soares, Ronald Golias e Renata Fronzi. Entre os roteiristas estava Carlos Alberto da Nóbrega, que hoje apresenta A Praça é Nossa. Chico Anysio, com seus inúmeros personagens, também deixou sua marca na TV, assim como o inovador TV Pirata, Os Trapalhões, Casseta & Planeta e Sai de Baixo.

TV Tribuna nasce em 1990, cheia de desafios

A TV regional deu seus primeiros passos no final da década de 50, com a TV Santos, que transmitiu programação local durante três anos, até 1961. Mas foi a partir dos anos 1990 que a Baixada Santista consolidou sua presença na televisão regional. 

Em 1989, o Ministério das Comunicações publicou o edital de concorrência pública para o Canal 18 de televisão, para Santos. O vencedor foi o Sistema A Tribuna de Comunicação Ltda. (SAT) e o canal foi concedido em 1990. 

Um ano depois, em 1991, o então diretor-superintendente do Grupo Tribuna, Roberto Mário Santini, e o diretor da Central de Afiliadas e Expansão da Rede Globo, Evandro Guimarães, assinam a convenção de afiliação da TV Tribuna

O diretor de Operações da TV Tribuna, José Meneses dos Santos, que foi enviado de São Paulo pela Globo para instalar a nova emissora, lembra do desafio de colocar no ar o sinal regional.

“Eram todos profissionais de outras áreas, moradores da região, que tiveram que passar por capacitação e iam aprendendo enquanto faziam.”

Todo esforço deu certo e à meia-noite do dia 1º de fevereiro de 1992 entrava no ar o primeiro comercial transmitido pela TV Tribuna

Neste mesmo dia, a emissora apresentou a primeira matéria produzida por sua equipe de Jornalismo sobre os atletas da praia, na 1ª edição do São Paulo Já, o telejornal da TV Globo de São Paulo. 

Além destas entradas no jornal da Capital, boletins regionais eram inseridos durante a programação retransmitida da TV Globo. “Ao longo do primeiro ano, eram esses flashes que tínhamos. Só no ano seguinte, começamos a produzir o telejornal do estúdio, que ficava em São Vicente”, lembra Meneses. 

Ele conta ainda que antes do estúdio do telejornal, onde tudo era feito na raça pela própria equipe, um estúdio foi montado, em 1992, no antigo prédio de A Tribuna, na Rua General Câmara, no Centro de Santos. Lá foi feito o programa Palanque Eletrônico, que entrevistou todos os candidatos a prefeito de Santos naquele ano. Entre os repórteres que participaram desse primeiro programa estavam Eduardo Silva (hoje diretor de Jornalismo da TV Tribuna) e Cristina Guedes (colunista social de A Tribuna). 

Depois de 28 anos da primeira transmissão regional, Meneses avalia que, mesmo com novos formatos, a TV tem vida longa e é insubstituível. “O streaming é legal, mas para grandes eventos e informação ao vivo no Jornalismo, a TV é insuperável.”

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