Cannabis medicinal transforma vida de pets

Thor tem epilepsia e faz uso do óleo para ter qualidade de vida

Por: Ravena Soares  -  12/05/24  -  17:52
  Foto: Alexsander Ferraz/AT e Arquivo pessoal

O uso de óleo de maconha, o canabidiol, está sendo cada vez mais discutido. Ele pode ser usado no tratamento de diversos transtornos e doenças, desenvolvidos pelos seres-humanos. Entretanto, para além do tratamento em pessoas, o canabidiol também pode ser usado em animais de estimação.


De acordo com o médico veterinário da Baixada Santista, Gustavo Palmieri conta que começou a prescrever o óleo de maconha após começar a receber vários relatos de patologias que foram controladas com a medicação. “Quando o pessoal escuta a palavra maconha, lembra muito de uma coisa errada, uma coisa do mal. Mas o óleo extraído da da planta da maconha, tem vários fatores que conseguem ajudar em muitos tipos de doenças”, explica.


O veterinário ainda explica que entre os principais casos de prescrição, estão os que envolvem convulsões inespecíficas, que não tem causas; ansiedade e hiperatividade e também em tratamentos de dores crônicas, cujo medicações tradicionais não surtem mais efeitos.


Entre os animais de estimação, os cães são os que mais fazem uso do medicamento, entretanto há casos de gatos que também utilizam o tratamento. “Hoje eu atendo mais animais de médio a grande porte”, destaca.


Para o veterinário um dos maiores desafios é driblar o preconceito enraizado na sociedade, no que diz respeito à cannabis. Para ele é imprescindível que as pessoas se mantenham informado sobre a importância do medicamento. “O preconceito ainda é muito grande. Você vai falar com o tutor, sobre utilizar o óleo, e ele ainda fica com o pé atrás. Mas a importância do tratamento dentro da medicina veterinária é muito grande, porque ele transforma e salva vidas”.


Vivência

Aos cuidados da vicentina Marinalda Carvalho, de 53 anos, Thor é um pitbull de dois anos que faz o uso de canabidiol para tratar epilepsia. Suas crises começaram em agosto do último ano e gerou preocupação na tutora. “ Na primeira crise ele estava no quintal e eu dentro de casa, quando ouvi um barulho vindo do quintal, e fui verificar o que o Thor estava fazendo e me deparei com ele deitado, pedalando, babando muito e defecando. Aguardei uns dias para ver se ele teria novamente a crise, e com 20 dias depois as crises ficaram se repetindo quase todos os dias”, lembra.


Com isso, o animal passou por uma série de exames, até ter o diagnóstico final. Após o laudo, Thor começou o tratamento com remédios controlados, que seguraram suas crises por cerca de 15 dias e logo após elas retornaram. “Foi aumentado a dose do remédio, mas não teve melhora”.


Segundo Marinalda, o uso contínuo da medicação fez com que Thor desenvolvesse um problema no fígado (que já foi tratado). Ela ainda foi informada que o medicamento não estava surtindo efeito e foi aí que foi sugerido o uso de canabidiol.


A mulher conheceu o trabalho do Núcleo de Atenção à Saúde e Cuidados Integrativos (Nasci), do Instituto Articulação de Tecnologias Sociais e Ações Formativas (Adesaf) e Palmieri explicou para ela sobre os benefícios do canabidiol. “Com isso, conversei com meus familiares e fiz uma breve pesquisa sobre o assunto e vi que tinha inúmeros artigos científicos elogiando o óleo da cannabis para fins medicinais, voltei com a resposta que poderia ser usado o óleo da cannabis em Thor”.


Marinalda destaca que com o início do tratamento, Thor passou a ter crises menos agressivas. “Ele ficava fora de si nas crises antes do óleo da cannabis, e agora com uso da cannabis ele tem só que não cai no chão, não pedala e nem baba. São crises bem mais leves da que ele tinha”, explica.


Thor faz o uso do canabidiol há um mês, e o médico veterinário está estudando a dosagem para que ele tenha cada vez mais qualidade de vida.


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