Moscow Mule: O drinque que salvou marca de vodka da falência

No brasil, o coquetel da canequinha é diferente dos outros países

Quem nunca experimentou um Moscow Mule que atire a primeira caneca! Eu sei, não é uma unanimidade, mas o sucesso desse coquetel é estrondoso e as canecas só não saem voando por que viram suvenir com uma rapidez de invejar qualquer mágico. 

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Já falamos dele nessa coluna, já que ocupa o 10º lugar entre os 50 coquetéis mais pedidos nos grandes bares do mundo. Porém, o Moscow Mule de outros países só tem semelhança com o brasileiro na canequinha, que nem sempre é de cobre e nem sempre está escrito da mesma forma nos cardápio. O drinque fora do País não leva a espuma que agrada tanto ao público brasileiro. 

Como diria o saudoso Padre Quevedo: “Isso non ecziste” em outros lugares. Como tantos outros coquetéis, há mais de uma versão sobre sua criação, então vou tentar resumir a história mais conhecida desse coquetel. 

No final da década de 1930, a vodka Smirnoff estava rumo à falência. Foi ai que John G. Martin, um empresário do ramo de bebidas teve a ideia empreendedora de adquirir os direitos da vodka. Após pagar 14 mil dólares, ele tinha um estoque gigantesco da bebida na sua distribuidora em Connecticut (EUA) e, por ser tempos de guerra fria, os norte-americanos não olhavam com bons olhos nada que fosse ligado aos russos, o que causou um encalhe da mercadoria. 

Quando John chegou ao balcão do famoso bar Cock’n’Bull, em Hollywood, descobriu que seu amigo Jack Morgan e dono do lugar, também estava sofrendo com o encalhe de sua nova aposta, uma cerveja de gengibre (ginger beer). Dois empresários, dois produtos sem nenhum sucesso, o que mais poderia acontecer? 

Quiseram os deuses da coquetelaria colocar mais uma dose nessa história! No mesmo dia em que Jack e John estavam no bar tentando achar uma saída pra alcançar o sucesso, chega ao balcão Sophie Berezinski, herdeira de uma fábrica de cobre na Rússia, enviada para os EUA com um lote de 2 mil unidades de canecas de cobre. 

Mais um fracasso na época por ser produto russo em solo norte-americano. Mas no meio de tantos erros o Barman Wes Price testou algumas receitas até misturar a vodka de Jonh, a cerveja de gengibre do Jack, com suco de limão, na caneca de cobre da Sofie. A receita agradou e resolveu o problema dos três empreendedores. 

Todos esses fatos teriam acontecido na década de 1940. Com a criação da Polaroid em 1947 e com o Moscow Mule como coquetel conhecido em vários bares, Martin comprou uma câmera e inaugurou um das grandes jogadas de marketing da indústria de bebidas. 

Ele passava em todos os bares e tirava duas fotos dos bartenders com uma garrafa de Smirnoff na mão e uma caneca de Moscow Mule na outra, deixava uma cópia da foto no bar e levava a outra foto para mostrar no próximo bar e assim provar que o coquetel era a grande onda do momento. Em 2009, o Brasil escrevia uma nova página nessa história pelas mãos do bartender Marcelo Serrano, quando comandava o balcão do badalado MYNY bar, em São Paulo. 

Por conta da escassez de ginger beer, ele teve a ideia de usar uma espuma de gengibre feita no sifão para finalizar o coquetel. Tamanho foi o sucesso dessa versão que hoje em dia, se um Moscow Mule for servido sem a espuma, ele simplesmente é recusado pelos clientes. No ano de 2012, Serrano contabilizou 6 mil coquetéis vendidos em um único mês. O recorde foi mais de 580 em um único dia, no Brasserie des Arts, em São Paulo. Com isso, a espuma tornou-se padrão no Brasil inteiro, e foi ganhando cada vez mais versões. Além dos sabores das frutas tropicais, encontramos carvão ativado, jambu, hortelã e até vinho. Nos bares de Santos e região você encontra o ‘Coquetel da Canequinha’ em praticamente 80% dos bares, inclusive na versão de Gin Tônica, com uma média de 100 coquetéis vendidos por mês.

Em cada um dos bares você acha uma espuma diferente. Na Rua Tolentino Filgueiras, no Gonzaga, as casas Goat, Bar Tolê, La Bell e Naus apresentam uma espuma de manga, limão siciliano, carvão ativado entre outras. Já o Wall Street Bar, no Canal 3, apresenta uma espuma diferente todo mês. No Wine Bar do Laticínios Marcelo no Praiamar Corporate, o cardápio tem uma versão do coquetel batizada de Brazilian Mule, com uma breve descrição sobre a história e a invenção da espuma brasileira. O grande diferencial é que a espuma é feita com vinho tinto e é servida em canecas de cobre. É o drinque mais vendido da casa.

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