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Segunda-feira

9 de Dezembro de 2019

Enlatados e congelados na alimentação; mitos e verdades

Como e quando usar os alimentos prontos

Com a correria do dia a dia, inevitavelmente acabamos lançando mão do uso de alguns alimentos semi-prontos, como enlatados, congelados ou em embalados a vácuo. Sabemos que eles não são o melhor dos mundos quando o assunto é saúde, mas dá para seguir pelo caminho do meio, como diz a nutricionista Andrea Asorey, professora do Senac. 

“Jamais um enlatado substitui um alimentos in natura. A dica é quanto menor o processamento melhor. Há aqueles que são somente cozidos a vapor e colocados em salmora para serem embalados. Sem muito processamento. São melhores”. 

Ela lembra que os enlatados foram criados para alimentar soldados em campanhas militares, a fim de conservar os alimentos para que chegassem a quem estava longe. 

“Hoje, eles são práticos no dia a dia, mas não devem ser usados com frequência. Não devemos fazer deles um hábito. Melhor optar por congelados in natura. Ervilha, milho, cenoura e outros vegetais, por exemplo, mantêm boa parte dos nutrientes, a cor e a textura”.

Vá notando as diferenças entre marcas tanto de congelados como de enlatados. “Há ervilhas enlatadas ou lentilhas com uma cor alterada. Isso quer dizer que foi processado demais, ou seja, tem muitos conservantes”.

Olhe os rótulos 

Andrea destaca que quando começam a aparecer muitos nomes estranhos nos rótulos da embalagem devemos evitar. 

Entre os enlatados mais consumidos, estão a sardinha e o atum, peixes ricos em Ômega 3, um importante antioxidante. “Há pessoas que estão longe de locais que tem peixe fresco ou não gostam dos congelados. Nesses casos é uma boa forma de consumi-los”.

Vidro 

Os alimentos embalados em vidro são melhores do que os enlatados, que podem ter contaminação da lata quando amassada. “É preciso tomar muito cuidado e ver se a lata está intacta para não trazer riscos à saúde”. 

Andrea recomenda os congelados. “Hoje temos muitas boas opções. O grau de processamento é menor, a integridade se mantém e qualidade nutricional é melhor. Mesmo que sejam embalados em plástico, que ambientalmente não é adequado. Precisamos lembrar da importância também da necessidade de descartar esse plástico corretamente, para reciclagem”.

Cada vez mais comuns , os alimentos a vácuo também são apelos de facilidade no nosso dia a dia. A nutricionista explica que como aspecto positivo, eles têm pouco processamento e por esse aspecto. Porém, são cozidos no plástico, que pode liberar substâncias cancerígenas como o bisfenol.

É preciso ficar atento se a embalagem é livre desse composto. Já há no mercado opções com a inscrição BPA-free, ou seja, livre de bisfenol A. 

Sódio

Nas conservas em salmora, enxágue para tirar o excesso de sódio. Geralmente, o consumidor  acaba salgando em dobro quando coloca o seu próprio tempero no preparo. Procure sempre olhar os rótulos e prefira os produtos com menos sódio. 

Azeite em lata é a melhor opção

O azeite é um caso em que a lata é a melhor embalagem, pois veda a entrada de luz que acelera o processo de oxidação do líquido.

Outro alimento que é muito vendido enlatado é o molho de tomate. Nesse caso, os tomates pelados são a melhor versão, pois vêm sem tempero. Os molhos prontos têm altos índices de sódio e também aquelas substâncias que não conseguimos nem traduzir dos rótulos. 

“Claro, fazer um molho em casa, com tomates frescos, cebola, alho, ervas...é sempre a melhor opção, mas não podendo, olhe o rótulo e prefira sempre aquele com ingredientes mais naturais”, diz a nutricionista Andrea Asorey, professora do Senac.

Há ainda as compotas doces, também populares. É importante pensar que elas têm grande quantidade de açúcar. Para reduzir esse excesso, uma dica é drenar a calda em que elas estão embebidas. Consumi-las em moderação é outra recomendação.

Prefira atum em óleo ao em água

Consumidor deve optar pelo atum em lata e conservado em óleo (Foto: Adobestock) 

Na compra de atum em lata, prefira o conservado em óleo e não o chamado light, em água. "O atum é um peixe grande, que vive muito tempo no mar e geralmente é contaminado com mercúrio, que é um metal pesado. Os metais pesados ou qualquer tipo de toxina têm afinidade por gordura. Como ele é cozido no óleo, parte desse mercúrio migra para a gordura, que deve ser eliminada ao abrir a lata, ou seja, descarte o óleo. Já em água, isso não acontece”, explica a nutricionista Andrea Asorey.

Já a sardinha é um peixe pequeno, de vida curta, portando sofre menos contaminação. Mas em molho de tomate, contém temperos processados, prefira em azeite.

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