A cultura cervejeira está enraizada em Santos

Por conta do Porto, cidade adquiriu herança de séculos passados

A cerveja é sem dúvida uma das paixões nacionais ao lado do futebol, do samba e da caipirinha. Por conta do Porto, Santos adquiriu uma cultura cervejeira muito forte e enraizada desde sempre, uma herança de séculos passados, onde a cidade era a porta de entrada de vários carregamentos da bebida vindos de diversas partes do mundo.

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Voltando um pouco mais no tempo, quando a família real pisou por aqui foram desembarcadas barricas de cervejas de suas caravelas. Tese de doutorado defendida por Paulo Alexandre da Graça Santos, em 2009, no Rio Grande do Sul, diz que “entre os registros de inventários post-mortem pesquisados foi encontrado um de garrafas de grés para cerveja, em 1806”, ou seja, antes da abertura dos portos já havia cervejas que entraram clandestinamente em terras brasileiras.

Outro fator para sermos um público cervejeiro é o clima da cidade. Santos tem um “verão anual” com temperaturas de agradáveis a escaldantes em média por 7 meses do ano, o que nos faz ir ao bar mais próximo e pedir:“Tu me vê uma Breja bem geeelaaadaaa!”

Do século 19

Enquanto surgiam fábricas de cervejas brasileiras nos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, os santistas preferiam apenas continuar apreciando as diversas cervejas que por aqui chegavam. 

Apenas em 1879 foi inaugurada a cervejaria São Bento que funcionou por 36 anos e abriu caminho para outras fabricas como Recreio Santista (1890), Cervejaria União (1902), Braz Cubas (1904), Cerveja Penha (1908).

Braz Cubas, como o fundador de Santos

Os sócios João Carlos Antônio Frederico Zerrenner, alemão naturalizado brasileiro e o dinamarquês Adam Ditrik von Bülow, que possuíam experiência como exportadores de café, fundaram a cervejaria Antarctica em 1891. 

Lançaram a cerveja Santista em 1918 e na sequência construíram uma fábrica aqui no terreno que hoje se encontra a Universidade Paulista – Unip, na Vila Matias. Na década de 1950 ainda tivemos por aqui as marcas Anchieta e a Mossoró, que ganhava a preferência dos consumidores por sortear 1.200 brindes, garrafas de cervejas e rádios de mesa em suas tampinhas-- nessa época as rolhas tinham sido aposentadas. Os prêmios eram anunciados diariamente na Rádio Cacique.

Bar Caracu 
Caracu
Outra grande marca nacional tem história em Santos: a cerveja preta Caracu. Extra forte, foi lançada em 1899 em Rio Claro, e desde o início ganhou a fama de ser uma cerveja nutritiva e vitamínica para às lactantes. É a cerveja preta mais consumida do país e teve uma fábrica na Rua Senador Feijó, 415. No imóvel da frente abriu um bar e churrascaria com o nome de Caracu, que permanece até hoje aberto e serve um dos melhores pastéis da cidade. 

Nessa fábrica, na década de 1970, foi feita a primeira produção de cervejas em lata do Brasil: a Skol, produzida a partir de folha de flandres. Assim como a Antarctica, a Skol-Caracu também paralisou suas atividades em Santos em meados da década de 1980.

Duas curiosidades sobre a Caracu: foi uma das precursoras dos modernos outdoors ao ser fixada no alto do Edifício Martinelli, em São Paulo. 
O playboy paulistano Chiquinho Scarpa foi um dos donos das marcas Caracu e Skol, herdadas de seu pai, Nicolau Scarpa.

A cerveja conhecida por sua energia e seu sabor encorpado, possui aroma de malte torrado, que faz lembrar café. Por não ser filtrada, a Caracu é mais nutritiva, além de conter levedura e proteínas.

Desde os anos 1950, há um coquetel que só os frequentadores dos botecos mais tradicionais conhecem, o Caracu com ovo. Coquetel sem pai e nem mãe, mas que é surpreendentemente saboroso, além de possuir algumas variações em cada região. Dizem os mais antigos que o ovo da receita deve ser batido inteiro, com casca e tudo, assim você garante o cálcio da receita nutritiva, podendo também substituir o ovo de galinha pelo de codorna, o que adiciona ao drinque um poder afrodisíaco.
Fonte de pesquisa: site memória santista.

 

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