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Domingo

19 de Maio de 2019

Youtuber leva sucesso da internet para o teatro

Fred Elboni se aventura nos palcos com o espetáculo 'E Aí, Sumida?', que apresenta em Santos

Fred Elboni contabiliza mais de 3 milhões de seguidores na sua página do YouTube e demais redes sociais. Mas tudo começou sem grandes pretensões, de 2010 para 2011, quando abriu o blog Entenda os Homens – hoje EOH – com textos que funcionavam como uma espécie de autoanálise.

Com sua forma própria de falar sobre as relações e os sentimentos, o publicitário de formação não só conquistou um público fiel chegou a trabalhar como roteirista no programa Amor & Sexo, da Globo, e já lançou sete livros, entre eles 'Só A Gente Sabe O Que Sente', 'Notas de Liberdade' e 'Um Sorriso ou Dois'.

Nesta sexta-feira (17), às 21h30, o paulistano de 28 anos apresenta no Teatro Coliseu, em Santos, sua primeira peça, 'E Aí, Sumida?', sobre as particularidades das relações contemporâneas. Confira, abaixo, os principais trechos do bate-papo com Fred.

Peça

“Eu queria experimentar o teatro e levar para o palco o que falo nos livros e na internet sobre as relações, os sentimentos, o amor, além de poder manter contato direto com o público, ver sua reação ao vivo. Comecei a pensar em como fazer isso e corri atrás. O roteiro básico é meu, mas o diretor, Marco Zenni, me ajudou a lapidar o texto. O espetáculo gira em torno de um casal, interpretado pela Priscila Castelo Branco e pelo Ricardo Gaeta. Eles se conhecem numa festa, começam a ficar e tentam descobrir se o que sentem é paixão, amor... Só que o personagem do Ricardo se mostra um pouco ciumento e estabelece uma relação abusiva. A peça trata de assuntos importantes como esse com um toque de humor, o que, ao meu ver, é uma forma mais sutil de tocar, de sensibilizar as pessoas. Assim, mostramos que, muitas vezes, pequenos detalhes geram discussões, que um relacionamento maduro costuma simplificar as coisas, enquanto uma relação imatura tende a complicar as coisas. O feedback do público está sendo maravilhoso”.

Ator

“Faço eu mesmo, sou o único na peça que conversa com a plateia, que quebra a chamada quarta parede, como se fosse a consciência do Pinóquio. Por mais que seja ator de mim mesmo, decoro textos, penso nos gestos que vou fazer. É um processo apaixonante!”

Vulnerabilidade

“Nos meus livros e na internet, falo de vários sentimentos. Com o que mais luto é a vulnerabilidade. Eu a trabalho bastante internamente, estudo e leio muito a respeito, gosto de estar por dentro desse sentimento ao máximo e de falar sobre ele para as pessoas. Não há como fazer algo corajoso na vida sem ficar um pouco vulnerável. Isso se dá, por exemplo, quando você diz o que sente. As pessoas, muitas vezes, confundem vulnerabilidade com fraqueza e devemos desmistificar isso. A vulnerabilidade é a única maneira de estabelecermos conexões verdadeiras, profundas. E não podemos ter medo do afeto. Inclusive, meu próximo livro, que sai em agosto e ainda não tem título definido, é sobre a vulnerabilidade e o medo de ser rejeitado ao se abrir para alguém”.

Vida mais leve e simples

“A gente geralmente quer entender tudo, só que algumas coisas não têm grande explicação, apenas acontecem. Levar uma vida mais simples é saber quando se deve buscar esse tipo de aceitação. Maturidade é agir com leveza, com calma. Uma pessoa inteligente e bem resolvida é aquela que adquire consciência maior do que é e sente, que desenvolve uma cabeça mais aberta para o mundo. Mas as pessoas geralmente tentam tapar seus erros e buracos emocionais jogando a culpa nos outros. Sem contar que o ato de se comparar a alguém é sempre danoso para uma das partes, porque ou vou me diminuir, ou vou diminuir o outro. Que admitamos nossas falhas e nos comparemos somente com nós mesmos, pois cada um pertence a um contexto, a uma realidade diferente”.

Poder do sorriso

“O sorriso é algo muito simples, mas que tem uma profundidade! Quando sorri para alguém, a gente troca energia, autoestima e fica, de certo modo, vulnerável. Não podemos querer que os outros se doem por inteiro, enquanto nos damos pela metade. Fica algo injusto, concorda? Às vezes, devemos dar o primeiro passo e sorrir para o outro, para a vida”.

Paciência

“O maior desafio hoje nos relacionamentos é ter paciência. Como existem muitas facilidades por aí, por que vou ter calma com o parceiro se posso abrir o Tinder daqui a 15 minutos e arranjar alguém? As pessoas estão confundindo pensar em si próprias com falta de solidariedade, com não ceder. Qualquer relação vai exigir que você, em algumas horas, acabe cedendo”.

Escritor, não especialista

“Não que eu seja psicólogo, coach ou algo do gênero. Apenas escrevo sobre amor, sobre o cotidiano, sobre o que vivencio e observo. Sou um escritor, não um especialista no comportamento humano. Tanto que não dou regra para nada, somente quero levar as pessoas a refletirem sobre os assuntos e abrirem seus horizontes. Os psicólogos normalmente elogiam essa minha postura”.

Trajetória

“O ponto de partida de tudo foi o blog Entenda os Homens, que agora se chama EOH. Comecei a fazê-lo com 19 para 20 anos. Basicamente, era uma autoanálise, nada do tipo ‘quero ser escritor’. Meio como um passatempo e por estar sem grana para pagar um psicólogo, tentei escrever sobre o que se passava na minha cabeça. Até hoje, é uma terapia para mim, um prazer, mesmo que o processo tenha ficado mais sério, com prazos e burocracias. Por causa da repercussão do blog, vieram os convites para trabalhar como roteirista do programa Amor & Sexo, da Rede Globo, entre 2012 e 2013 e para publicar livros, a partir de 2013”.

Serviço: Os ingressos para E Aí, Sumida? vão de R$ 30 a R$ 80. Podem ser adquiridos no site ingressodigital.com, na Renault Estoril (Av. Washington Luiz, 21, tel. 3229-1800) e no quiosque de venda de ingressos do Miramar Shopping (Rua Euclides da Cunha, 21, 3º piso, Gonzaga, tel. 3327-1007). O teatro Coliseu fica na Rua Amador Bueno, 237, Centro.

Confira reportagem completa na AT Revista deste domingo (12).