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Domingo

9 de Agosto de 2020

Usar fones de ouvido por muito tempo pode causar zumbidos e até surdez

O equipamento precisa ser utilizado com moderação para não prejudicar a audição

Ele tem sido companhia indispensável durante este período de isolamento, seja em reuniões, aulas on-line, na hora de ouvir música, fazer e receber chamadas de vídeo ou de áudio. Os fones de ouvido viraram acessório de primeira necessidade, principalmente para quem está fazendo home office. Tudo seria perfeito se não fosse o seu uso excessivo, que pode trazer problemas sérios, desde surdez precoce até zumbidos. 

“Apesar de ser uma invenção maravilhosa e transformadora, esse equipamento, se utilizado de maneira errada ou abusiva, pode prejudicar a saúde, em especial a dos ouvidos. O dano costuma ser decorrente de excesso de volume, do tempo com o fone e até mesmo da vulnerabilidade de cada um. Ou ainda: tudo isso junto”, alerta Tanit Ganz Sanchez, fundadora e diretora do Instituto Ganz Sanchez.  

A Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE) atinge qualquer pessoa exposta a níveis de som elevados com frequência. Cerca de 28 milhões de pessoas no Brasil já sofrem de zumbido e 5 milhões apresentam algum grau de surdez. “A grande preocupação é que a PAINPSE tem efeito cumulativo. Dependendo do volume e do tempo de exposição ao som elevado, além de predisposição genética, a pessoa sofre danos auditivos cada vez mais severos, de forma contínua e elevada, ao longo da vida. E as novas gerações serão as maiores vítimas dessa perda precoce de audição, em razão de hábitos ruins, como o uso de fones, ouvir música alta, principalmente agora que o equipamento está sendo usado com mais frequência”, esclarece a fonoaudióloga Marcella Vidal.  

Ela explica que uma das principais consequências desse hábito é o zumbido. De acordo com Marcella, o problema é causado pela lesão temporária ou definitiva das células ciliadas. “Elas se alongam e encurtam repetidamente quando estimuladas por vibrações sonoras. Ao serem incitadas por altos níveis de vibrações sonoras, como os de uma explosão, de fogos de artifício, do som alto de um fone de ouvido ou de um show, essas células ciliadas ficam sobrecarregadas e podem sofrer lesões temporárias ou definitivas”.  

E o zumbido ocorre para compensar a perda de função das células ciliadas lesionadas ou mortas. “As regiões vizinhas passam a trabalhar em um ritmo mais acelerado do que o normal, o que dá origem ao zumbido”.  

Não é só isso: a perda dessas sinapses, causada pela exposição a altos níveis de ruído, pode provocar, além da diminuição da capacidade auditiva, alterações neurais em vias auditivas que reduzem a tolerância ao nível de som.  

De acordo com Tanit, com o uso frequente de fones de ouvido e a exposição a ambientes barulhentos, a perda de sinapses tende a continuar progredindo e problemas de surdez podem surgir. “Ao utilizar os fones de ouvido, evite ultrapassar a metade da potência do aparelho ou, então, não o use por mais de duas horas seguidas. Isso faz muita diferença”, observa.  

O problema é que a maioria das pessoas não reconhece que está ouvindo mal. A falta de informação e o preconceito fazem com que a consulta ao otorrinolaringologista seja protelada por muitos anos. “Quando se procura tratamento, a audição está bem comprometida, o que pode acarretar até problemas cognitivos, com dificuldade no processamento de informações, atenção e raciocínio, por exemplo”, afirma a fonoaudióloga.  

Confira mais alguns cuidados:  

  •  Alimente-se bem, de quatro a seis vezes por dia, sem pular refeições. Evite o excesso de cafeína, doces, álcool e nicotina.  
  • Diminua o tempo de contato do celular com o ouvido, use mais o viva-voz ou o fone e troque algumas ligações por mensagens de texto.  
  • Estimule seus ouvidos com baixo volume de música suave ou outros sons agradáveis.  
  • Evite a automedicação, pois certos medicamentos podem provocar zumbido.  
  • Inclua mais atividades prazerosas na sua vida, principalmente na quarentena: faça exercícios físicos, veja filmes... Momentos de alegria ajudam a restaurar os nossos órgãos, inclusive os ouvidos.  
  •  Alivie seu estresse com atividades relaxantes, como ioga e meditação.  

História  

O fone de ouvido foi desenvolvido em 1919 com endereço certo: as cabines de avião e escutas de rádio, mas ganhou o mundo globalizado e invadiu as ruas. Inicialmente, os modelos eram maiores e mais pesados. Ao longo dos anos, esse acessório foi sendo transformado e adaptado para facilitar o seu uso.  

Tanit Ganz Sanchez esclarece que os mais comuns são os circumaurais, que cobrem toda a orelha e, por isso, oferecem um bloqueio físico à captura dos ruídos externos. “Assim, não é necessário aumentar tanto o volume. Tem-se uma melhor qualidade de som”.  

Os fones supra-auriculares também são grandes, mas, em vez de envolverem as orelhas, ficam sobre elas. Então, o bloqueio físico para os sons ambientes é menor. “Temos ainda os auriculares, que são os mais usados, pois já vêm com os smartphones. Geralmente, são colocados próximo à entrada do canal auditivo, mas sem vedá-lo. Eles não bloqueiam a entrada de sons do ambiente. E os intra- auriculares encaixam-se dentro do canal auditivo e bloqueiam a entrada de sons do ambiente”, finaliza a especialista. 

 

 

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